A Saúde está doente
Empresários portugueses têm de fazer "trabalho de casa"
Macau New Times adiado uma semana
Demissões na direcção
Enterrada para sempre
A caminho da UNESCO
Cuidado com as manifestações
Mais rigor, precisa-se
Banco optimista
Desemprego estacionário
Para que se saiba
Mais de 40 anos não entra
Nova maquilhagem para o centro
Zonas de queima de panchões, fogo de artifício e foguetes para o Ano Novo Lunar
"Em Macau existe pouco espírito de comunidade entre filipinos"
O Ocidente é um Acidente?
"Henrique de Senna Fernandes é incontornável"
As diferenças e as semelhanças
Macau muito Chanel.
Futebol aéreo
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A donzela pobre
O sorriso chinês
Separados no amor
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Previsões para a semana de 28 de Janeiro a 3 de Fevereiro
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A Saúde está doente

Finalmente, aconteceu o que se previa e que muitos estavam fartos de anunciar: os médicos do São Januário responderam às acusações que chovem do Kiang Wu. Parece-nos que neste processo o governo não tem escolha: terá de defender a sua dama. A não ser assim seria estranho e quase contra-natura. Para além do mais viria dar razão a quem, muito baixinho é certo, afirma existir uma vontade qualquer de esvaziar o São Januário para benefício do hospital privado.
De qualquer modo, temos de considerar que o Kiang Wu não é apenas um hospital privado. Tem uma história importante e representou em Macau a entrada da medicina ocidental no mundo chinês e logo pelas mãos do Dr. Sun Iat Sen. Estes snao factos que não podem ser deixados de lado. E nunca o foram. Tanto no tempo da administração portuguesa como no presente, o governo sempre apoiou o Kiang Wu, financeiramente e não só. Conviria que se esclarecesse porque é que pessoas ligadas ao Kiang Wu atacam o hospital público e que efectivos interesses estão por detrás de tudo isto.
A RAEM vive num momento em que se deseja, mais do que nunca, transparência. E que cada um assuma as suas responsabilidades. Para bem do futuro e da população que, afinal, é quem usa os serviços de ambos os hospitais.
A minha opinião pessoal, enquanto pessoa de ímpetos solidários, é que num território tão rico como Macau ninguém devia pagar pelo acesso à Educação e à Saúde. Mas admito que existam outras pessoas mais conotadas com aquilo a que um dia se chamou Direita. Uma vez mais o que convém é ser coerente e não adoptar posições que entram em conflito. Pelo menos, ideológico.
E, convenhamos, uma vez mais, a Saúde está doente.

Carlos Morais José
hoje@macau.ctm.net



Murteira Nabo sobre investimento português na China

Empresários portugueses têm de fazer "trabalho de casa"

Os empresários portugueses têm de fazer "trabalho de casa" sobre o mercado chinês, sobre o seu potencial e os seus riscos, disse ontem em Macau o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC), Murteira Nabo.
"Há alguma vontade das empresas portuguesas em explorar o mercado chinês, mas há muita falta de conhecimento desse mercado e muito do esforço que há a fazer é o de colher e fazer circular informação", disse Murteira Nabo, também presidente da Portugal Telecom (PT) e ex-membro do governo de Macau durante a administração portuguesa, quando era governador Carlos Melancia.
Murteira Nabo, que assinou ontem um protocolo de cooperação entre a CCILC e a Associação Comercial de Macau (ACM), advertiu que "tal como qualquer outro mercado emergente, o mercado chinês é um mercado de risco" e exige aos potenciais investidores um "trabalho profundo de recolha de informação, nomeadamente na área do enquadramento legal e financeiro do investimento estrangeiro".
Para o presidente da CCILC, que esteve hoje em Macau depois de ter visitado Pequim e Xangai, "a envergadura do mercado chinês e o desconhecimento que existe geram receios entre os empresários portugueses, mas tal como aconteceu com o Brasil, a China poderá vir a crescer no horizonte do investimento português".
"O acelerado ritmo de crescimento da economia chinesa, a recente entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) e a organização dos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim criam um quadro novo de oportunidades que devem ser aproveitadas", defendeu.
Murteira Nabo adiantou que o protocolo de cooperação assinado hoje com a ACM, representada pelo seu vice-presidente, Hoi Sai Un, "pretende ser o arranque de uma expansão da actividade da CCILC como ponto de intermediação e facilitador de negócios entre empresários portugueses e chineses".
"As relações entre Portugal e a China são muito boas politica e culturalmente mas são fracas do ponto de vista económico", disse Murteira Nabo, adiantando que a CCILC - fundada em 1978 e actualmente com 110 sócios - pretende funcionar como veículo bilateral, atraindo também empresas chinesas para Portugal.
Murteira Nabo disse que a CCILC está a finalizar os preparativos para a abertura de uma representação em Xangai, inicialmente anunciada há quase dois anos, e que ainda este ano pretende realizar na China um seminário sobre Portugal, com a participação de empresários e políticos portugueses.
Iniciativa semelhante sobre a China a realizar em Portugal está também a ser planeada.
Enquanto presidente da PT, Murteira Nabo disse ontem que a empresa está a posicionar-se para aproveitar oportunidades geradas pela abertura do sector das telecomunicações da China que decorrerá da adesão da República Popular à OMC.
Os termos da adesão da China à OMC prevêem que nos próximos dois a cinco anos a República Popular terá de abrir ao investimento estrangeiro até 49 por cento do capital das suas empresas de telecomunicações.
"Estamos interessados em analisar opções concretas de negócio na China logo que elas existam", disse ontem Murteira Nabo, adiantando que a PT "tem a intenção de procurar uma boa parceria no mercado chinês para ter um papel activo na área das telecomunicações móveis".



Macau New Times adiado uma semana

Infelizmente, por motivos técnicos a que somos alheios, a Fábrica de Notícias viu-se na contingência de adiar por uma semana o lançamento do semanário em inglês Macau New Times. A administração da empresa disse ao HOJE que "os leitores não perdem nada com isso. Pelo contrário, até ganham pela demora".
Assim, o Macau New Times estará nas bancas no próximo dia 1 de Fevereiro



Praticamente a um mês das eleições para a ATFPM

Demissões na direcção

João Costeira Varela
hoje@macau.ctm.net

Existem problemas na ATFPM. Dois membros da direcção assumem que se demitem. Outros não querem ver Pereira Coutinho ser reeleito, entre outras acusações. Mas o actual presidente, ausente nos EUA, mostra-se surpreendido e diz que vai à luta. "Aproveitam a minha ausência para me difamar", desabafou.

Os corpos gerentes da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) estão de candeias às avessas. De acordo com o que o HOJE conseguiu apurar junto de fontes, tanto da própria ATFPM como do exterior, a intenção de Pereira Coutinho de se recandidatar e a sua política directiva estão a provocar cisões irreversíveis no seio da direcção e Assembleia Geral, pelo menos.
Até ao momento, são pelo menos dois os membros da direcção, neste caso vogais, que já confirmaram a intenção de abandonar a direcção, mesmo antes de terminar o actual mandato. Mas o hoje sabe que há mais elementos que pretendem finalizar o mandato mas não recandidatar-se. João Tavares e Ricardo Luz confirmaram ao HOJE que vão apresentar a demissão, e que, este ponto só Luz confirmou, não farão parte da lista de Coutinho às próximas eleições, marcadas para 2 de Março, mas que em princípio deverão ser adiadas. Estes dois vogais dizem já ter transmitido esta posição a Pereira Coutinho.
Mas as dissidências não se ficam por aqui, nem os motivos apontados são completamente claros. O HOJE sabe que mais gente pretende desistir da lista de Coutinho porque, para além das divergências de opinião e "desilusões com a forma como as coisas são conduzidas", ficaram "extramamente surpreendidas por terem sido incluídos numa lista sem serem auscultados". De acordo com as nossas fontes, entre outros motivos, uma das razões apontadas é também "o facto de toda uma série de comportamentos estranhos começar a desmobilizar as pessoas". Um dos contactados diz mesmo que "já aparecem nas reuniões da direcção pessoas completamente estranhas aos corpos gerentes, que interferem nos trabalhos, opinam sobre as medidas a tomar e, muitas vezes, alguns dos membros da direcção sentem-se pouco à vontade para intervir na presença de estranhos ao processo".

Manifesto polémico

A desunião terá começado quando, na altura das eleições à Assembleia Legislativa, Pereira Coutinho, cabeça de lista da Nova Esperança, apresentou um manifesto eleitoral em que dizia aceitar que a função pública pagasse imposto profissional, ainda que com contrapartidas. Ao que o HOJE apurou, alguns dos membros da lista ficaram surpreendidos quando, uma semana depois, Coutinho voltou a fazer circular um manifesto em que, nas palavras da nossa fonte, "já dizia que como a Lei Básica não prevê o pagamento do imposto, os funcionários públicos recusam-se a pagá-lo". Esta mudança de orientação irritou alguns dos membros da lista, que naturalmente pertenciam à direcção da ATFPM. No entanto, o que fez mesmo transbordar o copo de água foi, segundo a mesma fonte, "o facto de depois das eleições o presidente ter mudado outra vez de opinião, dizendo que afinal se paga o imposto e ponto final". A partir daqui as divergências multiplicaram-se e, hoje, segundo uma outra fonte, há já mesmo pessoas que não falam "umas com as outras". O HOJE averiguou que o ambiente é de tal forma de cortar à faca que, a um jantar organizado por alguns membros da direcção, contestatários do rumo que as coisas estão a levar, outra reunião, convocada por elementos afectos a Coutinho, teve lugar para, segundo uma das nossas fontes, "criar unidade contra os insurrectos".

Encontrar consensos

No entanto, o HOJE soube, junto de um dos elementos da direcção que esteve presente no jantar dos críticos, que "este serviu apenas para discutir a actual situação, foi uma tertúlia de reflexão". Contudo, há uma hipótese no ar. É que esta fonte acrescentou que "o objectivo é encontrar consensos e apresentar uma lista única. Mas, caso não seja possível, é provável que apareça uma lista concorrente".
A acontecer, seria a primeira vez em toda a história da ATFPM que duas listas rivais se apresentariam na corrida à direcção. Da mesma forma que, se Coutinho ganhar outra vez, será o segundo presidente da associação a desempenhar o cargo por dois mandatos seguidos. Até hoje, apenas Jorge Fão o fez, de 92 a 96. Na altura, o agora deputado convocou uma Assembleia Geral para ouvir a opinião dos membros sobre a sua recandidatura e justificou-a com o período sensível que se atravessava. Discutiam-se as pensões, reformas e, principalmente, o processo de reintegração na Função Pública em Portugal. Daí que todos os membros da ATFPM contactados pelo HOJE vejam esta como uma excepção à regra que perdura desde sempre.
As nossas fontes dizem-nos também que "esta obstinação de Coutinho de querer a todo o custo ficar mais dois anos à frente da ATFPM é sinal de que nada está bem. Ele decidiu sozinho, sem ouvir ninguém". Dos vários contactos mantidos por este jornal, fica a ideia de que os contestatários de Coutinho temem que este "esteja a utilizar o cargo por interesse pessoal e profissional".

Surpresa de Coutinho

Perante tudo isto, Coutinho, que está nos Estados Unidos em missão profissional, mostrou-se surpreendido. Contactado pelo HOJE, o actual presidente da ATFPM nega todas estas acusações e explica o que, nas suas palavras, "verdadeiramente se passa".
Pereira Coutinho diz que "os vogais que mostraram intenção de se demitir voltaram atrás, e os motivos que apresentaram para pedir a demissão foram de foro pessoal". Quanto às acusações de que pessoas estranhas à direcção têm participado nas reuniões, o presidente afirma que "são delegados da direcção nos diversos serviços públicos, que ali vão desde sempre, desde o início da ATFPM, expor os problemas dos funcionários públicos, dar as suas opiniões e mais nada. Não têm direito de voto nem interferem nas decisões da direcção".
Quanto à sua candidatura, Coutinho confirmou que sim, que "será candidato, uma vez que existe um consenso de 100 por cento nesse sentido". Em relação à acusação de ter mantido na sua lista de candidatura nomes de pessoas sem as ascultar, Coutinho diz que não é verdade, já que "ouvi todos, um a um, à excepção do conselho fiscal, que ainda não tive tempo, e todos me disseram que sim, que continuavam". Sobre tudo isto, Pereira Coutinho diz que se tratam "de rivalidades antigas, potenciadas por pessoas que nem sequer são da direcção nem da própria ATFPM, e que aproveitam a minha ausência de Macau para me difamar e contestar". E remata dizendo: "Sempre fui frontal, nunca me esquivei às responsabilidades".



Nova fronteira nas Portas do Cerco poderá destruir importantes vestígios arqueológicos

Enterrada para sempre

Agnes Vong
hoje@macau.ctm.net

Existem em Macau vestígios de presença humana com mais de seis mil anos, dizem especialistas de Hong Kong. E estão em risco de desaparecer para sempre. A zona de fronteira com Gong Bei é uma delas. Mas com a construção do novo edifício teme-se o pior. Ou seja, que tudo seja definitivamente destruído.

Macau, apesar de todos os esforços encetados pelas autoridades para se tornar uma cidade conhecida pelo seu património histórico-cultural, continua a ser um local onde a construção desenfreada, sem qualquer estudo ou sondagem prévia aos terrenos, passa por cima de tudo quanto esteja no subsolo. São cada vez mais os que acreditam na existência de um valioso património arqueológico por escavar, mas a construção hipoteca todas as esperanças de se poder vir a descobrir o que quer que seja.
Neste momento, vários peritos e historiadores, sobretudo de Hong Kong, acreditam que precisamente no subsolo do local onde irá ser erguido o novo edifício da fronteira terrestre com a China, as Portas do Cerco, se encontram inúmeros objectos e ruínas de povoados pré-históricos. Tudo por escavar. Tudo por estudar. De acordo com um estudo levado a cabo pelo Presidente do Museu de Shenzen, Yan Yao-lin, a distribuição das ruínas e material arqueológico encontradas na zona de Gongbei, logo a seguir à fronteira, indica que a presença de estruturas e afins se prolonga por território já de Macau, necessariamente numa área imediata às Portas do Cerco.
Para além de nos fornecer quase a certeza de que realmente ali existem vestígios materiais de povoados pré-históricos, este investigador garante ainda que são em grande número e que vale a pena prestar alguma atenção ao assunto. É que o próprio corredor por onde atravessamos a fronteira, de Macau para Gongbei, é composto de ruínas da Idade da Pedra e de construções relativas ao período da dinastia Qin.
Em Macau, a distância até às ruínas mais próximas do lado chinês é um quilómetro e meio, ou seja, muito pouco. Por outro lado, mesmo junto às Portas do Cerco, foi encontrado, ainda não há vinte anos, um machado de pedra bastante trabalhado e com um longuíssimo braço, juntamente com um outro machado de... bronze.
Tang Chung, director do centro de arqueologia chinesa e arte da Universidade Chinesa de Hong Kong, publicou, em 1996, um estudo em que concluia que a Areia Preta, especialmente a zona da costa, é um potencial "arquivo de ruínas arqueológicas enterradas". E alerta: "Embora grande parte daquela área já tenha sido completamente destruída e inutilizada para efeitos arqueológicos, nomeadamente com a construção de um hipódromo, em 1938, há ainda imensa coisa por escavar e descobrir no subsolo".
As certezas deste historiador são de tal modo vincadas que afirma que se "ainda não foi descoberto quaquer tipo de antiguidade ou objecto pré-histórico é porque os trabalhos arqueológicos são muito negligenciados em Macau".
Na área, cerca de 500 metros quadrados, entre o porto de Jiuzhou, em Gongbei, a norte, e a península de Macau, a sul, foram descobertos, no ano de 1980, 38 utensílios de pedra e alguns fragmentos de objectos de cerâmica. Estudos indicam que pertencem à Idade da Pedra, Zhou do Oeste e ao período da Primavera-Outono.
O Governo de Macau vai construir umas instalações de fronteira e alfândega que cobrem uma área de praticamente 28 mil metros quadrados. Ora, de acordo com estes estudos e a opinião dos investigadores citados, é muito possível que as obras de edificação venham a destruir uma quantidade imensurável de vestígios materiais arqueológicos. O que pode ser evitado se, dizem estudantes de história e arqueologia contactados pelo HOJE em Hong Kong, "o governo aceitar fazer um estudo de prospecção e averiguação antes de lançar a primeira pedra".
De acordo com o documento publicado por Tang, a economia de Macau desenvolveu-se a um ritmo galopante nos últimos vinte anos. O mesmo ritmo a que, diz, "terá sido destruído ou danificado património arqueológico". E exemplifica: "as construções à frente do Westin Hotel, em 1993, arruinaram por completo as ruínas de Hac Sa".
Para além de criticar a construção cega, que negligencia hipotéticas ruínas arqueológicas, Tang questiona-se ainda sobre os resultados dos estudos e pesquisas feitas em Macau pela Sociedade de Arqueologia da Universidade de Hong Kong, em 1973, 1977 e 1985. É que, diz, "não foram publicados quaisquer resultados ou conclusões". Nada, nem uma linha. Para Tang, este tipo de comportamento também dificulta o trabalho a quem agora tenta estudar ou construir a história de Macau. Na verdade, nos corredores da investigação arqueológica em Hong Kong, este jornal conseguiu depreender que a opinião é unânime sobre o trabalho que há a fazer em Macau, sobretudo por parte das autoridades. Primeiro que tudo, dizem, "é urgente que as pessoas de Macau conheçam o território onde vivem. Tenham uma noção da sua evolução desde a pré-história". E, para que isso possa ser feito, para que a investigação possa ser levada a cabo com consequência e frutos relevantes, é necessário que se "deixe de estudar apenas os últimos 450 anos de colonização e se suprimam as carências de investigação nas épocas anteriores a essa".
Os estudantes e investigadores de Hong Kong são peremptórios ao afirmar que Macau deveria ter um organismo como o que existe no território vizinho, que, sob a alçada do Departamento de Serviços Culturais e Entretenimento, tem feito "um bom trabalho no restauro e conservação de monumentos e estruturas históricas". De acordo com estudos e investigações levadas a cabo pela Universidade de Hong Kong, estão documentados e catalogados objectos encontrados e que testemunham a existência de actividade humana há seis mil anos atrás. Ou seja, dizem os que aceitaram falar ao HOJE, "é urgente que Macau dê início a um estudo abrangente e sério que permita chegar a conclusões sobre como eram as coisas por aqui na altura das dinastias Tang, Song e Ming". E, dizem, caso não seja o governo a tomar a atitude, deve haver iniciativa privada ou particular nesse sentido, como por exemplo a criação de uma Associação de Arqueologia que, ao mesmo tempo que procede à investigação, possa pressionar e sensibilizar as autoridades para a importância destes assuntos".
Recorrendo a Hong Kong para termo de comparação, os investigadores ouvidos disseram também que, à semelhança do território vizinho, "Macau deveria aperfeiçoar a sua legislação no campo da preservação do património histórico e cultural". Em Hong Kong, o tal organismo,cuja designação é Antiquities and Monuments Office, tem, por exemplo, o poder de ordenar a interrupção de uma construção se, aos olhos da lei, esta estiver a danificar material arqueológico no subsolo ou se há a forte suspeita de que naquele pedaço de terra estão enterrados importantes ruínas. Em Macau, por outro lado, uma vez que não existe qualquer organismo com este poder, é muito provável que a construção, privada ou pública, destrua ou esconda interessantes legados históricos. Uma das soluções apontadas pelas pessoas ouvidas é a criação, em Macau, de uma equipa de técnicos especializados em investigação, que possa conduzir uma análise séria e consequente dos factos.
Entre a pré-história e o início da colonização portuguesa o que é que se passou em Macau? Trata-se de um intervalo de tempo demasiado longo, dizem os investigadores.
Voltando ainda aos trabalhos de investigação feitos nas décadas de 70 e 80 por equipas de Hong Kong, Tang sabe que os esboços do relatório estão guardados no museu de Arte de Macau. e exorta "o governo a juntar as peças, elaborar um documento final e publicá-lo".
Tang sugere que o trabalho de investigação comece pelo aproveitamento da comunidade escolar, dando início a campanhas de escavação arqueológica.



A caminho da UNESCO

No passado dia 23 de Julho, o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura apresentou ao mundo o projecto de candidatura de Macau a Património Mundial, numa cerimónia cheia de pompa e circunstância, no Clube Militar. Ladeado por Heidi Ho, presidente do Instituto Cultural, Chui Sai On foi aplaudido por estudantes, historiadores e cidadãos de todos os sectores da sociedade.
Património Mundial é uma classificação atribuída pela UNESCO, organismo da ONU, e que pretende realçar o carácter excepcional de estruturas antigas, culturais ou naturais, mantidas até hoje, e fomentar a sua conservação.
Uma candidatura a Património Mundial obriga a exames rigorosos ao estado do património em questão, às políticas de conservação, num processo que pode ser longo e complexo. De acordo com o estipulado pela Convenção do Património Mundial, os candidatos devem provar o valor particular que o local em questão poderá ter para o mundo, demonstrar que governo e população estão comprometidos com a sua conservação e, por último, explicar como é feita a integração desse património no ambiente em que este se encontra. Se necessário, o governo deve incrementar medidas que antecipem e previnam eventuais descoordenações na gestão desse mesmo património.
Desde a entrada em vigor da Convenção do Património Mundial, mais de 690 locais do planeta já entraram para essa categoria. Neste momento, a China ocupa o quarto lugar do ranking dos países com mais atribuições, 27, imediatamente atrás da Itália, Espanha e França.
Macau quer ver catalogados três praças públicas, dois templos chineses, as Ruínas de São Paulo, o Teatro D. Pedro V, a Capela de Nossa Senhora da Guia e mais 17 locais. Fazendo parte da República Popular da China, será Pequim quem, em 2003, juntamente com outros locais do continente, entregará a candidatura à UNESCO.



Au Kam San preocupado com desemprego em Taiwan

Cuidado com as manifestações

Au Kam San avisa o governo: se não se prepara, vão voltar as manifestações às ruas de Macau.

Com a actual recessão da economia de Taiwan, cuja taxa de desemprego se situa agora nos 4,5 por cento, cerca de cinco mil trabalhadores de Macau vêem-se na contingência de regressar à RAEM. Este facto preocupa sobremaneira o deputado Au Kam San, porque estas pessoas vão engrossar o número de desempregados locais.
O deputado aconselha, por outro lado, o governo a preparar-se para esta situação, de modo a evitar as manifestações que desestabilizaram Macau no passado ano 2000.
Au quer que o governo actualize as estatísticas relativas ao desemprego em Macau porque não acredita no número de 14 mil desempregados que a Direcção de Serviços de Trabalho e Emprego (DSTE).
Para o deputado, o número de desempregados em Macau pode
rá atingir já um valor acima dos 10% do total da população. Isto porque considera que nem todos contactam a DSTE e só os que o fazem são contabilizados.



Comissariado de Auditoria descontente com os Serviços

Mais rigor, precisa-se

O Comissariado de Auditoria entregou o seu Relatório de Auditoria sobre Operações Financeiras de 2000, a que o público pode ter acesso a partir de hoje. E, pelos vistos não está plenamente satisfeito com o comportamento dos serviços públicos.
Segundo fonte oficial, os principais resultados do Relatório são os seguintes:
"alguns serviços tiveram o seu orçamento demasiado sintetizado, sem classificação em detalhe; não elaboraram o primeiro orçamento suplementar dentro do prazo fixado por lei; tiveram uma previsão por defeito do saldo orçamental a transitar do ano económico anterior, tornando os recursos limitados impossíveis de serem distribuídos com flexibilidade; o aproveitamento não completo da função fiscalizadora da conta de controlo interno fez aumentar a possibilidade de haver demasiados gastos", entre outras críticas .
Mas depois vem o pior no caso dos serviços "que podem aplicar recursos públicos nas aplicações financeiras ou empréstimos". Nestes casos, o Relatório considera que "não se exerceu fiscalização suficiente sobre as suas actividades". Logo, "a aplicação dos recursos não foi bem sucedida".
Depois o Relatório critica ainda a gestão do trabalho extraordinário que considera "insuficiente e não correspondendo à boa gestão financeira". Na parte das sugestões o Relatório avança com algumas recomendações: "os serviços devem observar, com rigor, os dispostos previstos em todos os diplomas legais da contabilidade pública, elaborando um orçamento completo de detalhe, avaliando com rigor o saldo orçamental e aplicando bem os recursos públicos; por outro lado, regulamentar procedimentos de fiscalização sobre a gestão financeira e estabelecer critérios de concessão de apoios financeiros e empréstimos, consoante a especificidade de próprios serviços, a fim de minimizar a possibilidade de demasiados gastos".
Os exemplares gratuitos do Relatório de Auditoria sobre Operações Financeiras de 2000 podem ser obtidos gratuitamente durante a hora de expediente no Comissariado da Auditoria, sito no 20º andar do Edifício Dynasty Plaza, na Alameda do Dr. Carlos d'Assumpção, e no homepage do Comissariado da Auditoria ? http://www.ca.gov.mo



Hong Kong

Banco optimista

A economia de Hong Kong deverá crescer 1,8 por cento em 2002, numa recuperação mais lenta da contracção global que outras economias da região, disse ontem o economista-chefe do Hong Kong and Shanghai Banking Corp. (HSBC).
"2002 vai ser um ano de viragem, com uma melhoria das taxas de crescimento a tornar-se visível a partir da primeira metade do ano", disse Geoffrey Barker a jornalistas locais.
De acordo com o economista-chefe do HSBC para a Ásia-Pacífico o crescimento da economia de Hong Kong este ano "encontrará algum apoio no sector exportador" mas será mais lento que o de outras economias regionais devido a "fraquezas nas áreas do consumo doméstico e do orçamento fiscal".



Desemprego estacionário

Com base nos resultados do Inquérito ao Emprego, a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos apurou as seguintes informações: a Taxa de Desemprego foi idêntica (6,5%) à do período de Setembro a Novembro/2001, registando uma diminuição de 0,1 ponto percentual face ao período homólogo do ano de 2000. Relativamente à Taxa de Subemprego (3,7%), esta subiu 0,1 ponto percentual, face ao período de Setembro a Novembro/2001, e manteve-se, face ao período homólogo do ano de 2000.
O número de desempregados à procura do primeiro emprego foi cerca de 1100, isto é, 7,8% do total da população desempregada, representando uma quebra de 1,1 pontos percentuais em relação ao período de Setembro a Novembro/2001.
Observou-se, relativamente ao período de Setembro a Novembro de 2001, nos ramos da Construção, dos Transportes, armazenagem e comunicações e dos Serviços colectivos, sociais e pessoais (incluindo o jogo e serviços de diversões), que o desemprego regrediu, enquanto nos sectores de Actividades financeiras e Actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas registou-se a situação inversa.
No período de referência, a população activa era estimada em 226 milhares de pessoas (51,7% da população residente), das quais 212 milhares eram empregadas e 14,6 milhares eram desempregadas. A Taxa de Actividade foi de 64,7%, observando-se um decréscimo de 0,2 pontos percentuais em relação ao período de Setembro a Novembro/2001 e uma subida de 1,1 pontos percentuais em relação ao período homólogo do ano de 2000.
Com base nos dados administrativos fornecidos pelo Corpo da Polícia de Segurança Pública, o número total de trabalhadores possuidores de título de identificação de trabalhador não- -residente, em finais de Dezembro de 2001, era de 25 925, representando uma descida de 1,4% e 4,8%, respectivamente, em relação aos que existiam em finais de Setembro de 2001 e no período homólogo de 2000.



Médicos do São Januário respondem às críticas do Kiang Wu

Para que se saiba

Fartos das críticas, que já chegaram à Assembleia Legislativa pela voz de uma enfermeira do Kiang Wu, os médicos do São Januário finalmente respondem. E abrem uma guerra que todos previam ter de acontecer mais tarde ou mais cedo. Revelam, por exemplo, que o hospital privado de Macau cobra quatro vezes mais por uma operação que os hospitais de Hong Kong.

O Hospital Conde São Januário, pela voz do seu director e do responsável pelos serviços de cardiologia, respondeu ontem às críticas que têm vindo a público sobre a sua política de remetência de doentes para outros hospitais. Na verdade, esta resposta surge três dias depois de a deputada Leong Iok Wa, ela própria enfermeira no hospital Kiang Wu, ter questionado o elevado número de transferências de doentes para hospitais de Hong Kong, quando o Kiang Wu dispõe das condições para os atender, nomeadamente ao nível da cardiologia.
Ora, os responsáveis do São Januário contestam esta crítica, dizendo que o hospital privado de Macau até é o que recebe mais doentes do hospital público, e exbiram os números. Numa tomada de posição bastante forte, contestando os critérios e políticas do Kiang Wu, e indirectamente a Secretaria para os Assuntos Sociais e Cultura, respondem a Leong dizendo que o processo de transferência de um doente para outro hospital é complicado. Que é necessária a autorização do médico-chefe de serviço, do director do hospital e depois a aprovação dos Serviços de Saúde. Dizem também que os doentes têm o direito de escolher o sítio para onde desejam ser transferidos e tratados, e que, se é mais caro receber tratamento no "outro hospital de Macau do que em Hong Kong", é natural que muitos optem pela região vizinha. E deixam no ar a questão: "O que é que a deputada escolheria?"
E forneceram aos jornalistas uma tabela comparativa dos preços do Hospital Grantham e do Kiang Wu. Há operações que chegam a custar entre 79 e 91 mil patacas, no hospital privado de Macau, que em Hong Kong não ultrapassam os 21 mil dólares de Hong Kong.
E, pela primeira vez, insinuam que as acusações vindas a público, por parte de sectores ligados ao Kiang Wu, sobre a qualidade dos médicos, sobretudo os que vêm de Hong Kong, são infundadas, já que, disseram os responsáveis do São Januário, "são tão bons que o próprio Kiang Wu os vai buscar para tratarem clientes seus, no seu hospital, e muitas deles somos nós que os pagamos".
Sobre o dinheiro, o São Januário pergunta qual é a diferença para a economia de Macau entre "ser o Kiang Wu a trazer especialistas para tratar os nossos doentes no seu hospital, e nós pagarmos, porque por cada doente eles recebem um subsídio, ou nós irmos buscar esses especialistas e sermos à mesma nós a pagar?"
De qualquer das formas, argumentam os responsáveis, "não nos preocupamos muito com o lado económico do problema, já que somos técnicos a quem só interessa o que é melhor para o doente".



Ng Kuoc Cheong acusa Instituto Politécnico de "discriminação etária"

Mais de 40 anos não entra

Ng Kuoc Cheong criticou o critério de idade do IPM. Mas o presidente do IPM defende-se. E promete mudar.

Esta semana Ng Kuoc Cheong assetou as suas baterias no Instituto Politécnico de Macau (IPM). Para o deputado, os novos cursos do IPM, criados pelo governo para combater o desemprego e melhorar a qualidade dos serviços em Macau, "são discriminatórios em termos de idade". Com efeito, o IPM só admite pessoas com idade compreendida entre os 18 e os 40 anos, o que para Ng exclui "muitos dos mais necessitados, sobretudo pessoas que a partir dessa idade precisam de ajuda".
Só que Lei Heong Iok, presidente do IPM, não concorca com o deputado. Para ele, "cada instituto considera a idade como um critério de recrutamento" e chama a atenção para o facto de os cursos de formação existirem também na Universidade de Macau e no Instituto de Formação Turística, onde, segundo Lei, são aceites pessoas de mais provecta idade.
No entanto, Ng Kuoc Cheong argumenta, por seu lado, que dos 400 milhões de patacas que o governo destinou a este programa de formação a maior parte vai para o IPM. Este instituto oferece um programa de dois anos a 2500 pessoas, cuja escolaridade não vá além do 9º ano.
Lei Heong Iok disse ainda que no próximo estágio de selecção de candidatos haverá um ajustamento da idade e dos objectivos dos cursos, de modo a servir mais pessoas.



Ruas ao estilo "europeu"

Nova maquilhagem para o centro

A Direcção de Serviços de Obras Públicas e Transportes lançou no passado dia 23 de Janeiro um concurso público para o rearranjo da Rua dos Mercadores, Rua das Estalagens, Rua Cinco de Outubro e Rua Miguel Aires, situadas no centro da cidade.
O objectivo do Executivo é melhorar o aspecto daquelas ruas, dando-lhes um "ar mais europeu". Isto será feito através de empedramento à portuguesa e a colocação de candeeiros especialmente desenhados. Para além desta maquilhagem, pretende-se igualmente melhorar o sistema de drenagem das referidas artérias.
No entanto, não foi considerado nos planos do governo fechar estas ruas ao trânsito automóvel, depois de concluídos os trabalhos, transformando-as em zonas de circulação pedestre.
Finalmente, o objectivo das autoridades passa por tornar mais atractivo para os turistas o centro da cidade de Macau.
As propostas para a adjudicação destes trabalhos serão aceites até dia 21 de Fevereiro.



Zonas de queima de panchões, fogo de artifício e foguetes para o Ano Novo Lunar

O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais divulgou a localização das zonas legais de queima de panchões, fogo de artifício e foguetes para a época do Ano Novo Lunar 2002.
Em Macau, a zona de queima será na Av. Sun Yat Sen (perto do Centro Ecuménico Kun Iam) e na Taipa ficará localizada na Estrada Almirante Marques Esparteiro, junto ao aterro ao lado da ponte Nobre de Carvalho. O prazo de inscrição para o concurso público de lugares para a venda de panchões, fogo de artifício e foguetes, foi prolongado até amanhã, dia 25, altura em que serão aceites as inscrições no Forum II das 9h até às 10h15. Para proceder à inscrição, os interessados, deverão efectuar um deposito de MOP6.000,00 como garantia do cumprimento exacto e efectivo das obrigações. Durante o concurso público, que terá lugar no Forum II, às 10h30, os concorrentes deverão apresentar o original do recibo de depósito e o documento de identificação válido, podendo ser acompanhados, no máximo por duas pessoas.



Victor Ablan, representante em Macau do Consulado das Filipinas de Hong Kong

"Em Macau existe pouco espírito de comunidade entre filipinos"

João Costeira Varela
hoje@macau.ctm.net

HOJE - Há um consulado das Filipinas em Hong Kong que, em princípio, abrange, em todas as áreas de acção, também Macau. Porquê abrir aqui na RAEM uma delegação do Departamento de Trabalho desse consulado? VICTOR ABLAN - O Cônsul achou necessário que assim fosse. Trabalho porque se pensou ser uma área em que potenciais problemas podem acontecer envolvendo os filipinos em Macau. Temos mais de cinco mil nacionais a trabalhar em Macau e estes são os registados. Aqui incluem-se os cartões brancos, amarelos e azuis.

E acha que há muitos mais não registados?
É capaz de haver mais uma centenas. Sabe que Macau, sendo uma cidade internacional, autoriza os visitantes a ficar um mês. Portanto, há visitantes que, mesmo em férias, tentam encontrar trabalho em Macau. É normal. Como qualquer turista, desde que não causem problemas.

E com que tipo de problemas é que lida diariamente?
Não pagamento de salários, benefícios ou compensações. Os filipinos de Macau procuram colher aqui conselhos sobre a melhor forma de lidar com a situação. Mas a assistência é dada pelos Serviços de Trabalho. É que os trabalhadores importados em Macau são protegidos pelo contrato que assinam. Esse contrato é submetido aos Serviços de Trabalho. Estes estabeleceram, preto no branco, que os trabalhadores estrangeiros não são abrangidos pela Lei Laboral de Macau. Só pelo contrato que assinam. Até as empregadas domésticas, quer sejam residentes permanentes, chinesas ou filipinas, ou não, não são abrangidas pela Lei Laboral do território. Só pelo que assinaram. O problema é que, antes, há dez anos, vinha-se aqui e havia muitas mais oportunidades de emprego do que agora. Desde o handover que Macau tem uma taxa de desemprego de mais de 6 por cento. Em Maio de 2000, trabalhadores locais foram para a rua manifestar-se e protestar porque que não tinham emprego, enquanto os trabalhadores estrangeiros sim. Agora o governo tenta ver em que sectores específicos é possível criar emprego para os locais. Tal como em todo o lado do mundo. É natural que assim seja. Primeiro estão os nossos trabalhadores, não é?

Porque é que acha que os empregadores preferem trabalhadores estrangeiros?
É uma decisão pessoal. Não é racismo. Acontece, por exemplo, que os filipinos são bastante úteis. Veja que Macau é uma cidade internacional, onde é precisa uma linguagem internacional, especialmente em restaurantes e hotéis. E os filipinos dominam bem o inglês, por exemplo. Vão mais longe na relação com os clientes. A comunicação permite ir mais além no chamamento de clientes. Mas não há problema nenhum. Também há filipinos engenheiros, enfermeiros, hospedeiros, pilotos, na Air Macau. E o governo não tem qualquer tipo de problema com eles.

Mas a comunidade filipina é ou não afectada por esta redução de quotas, pela política do governo de criar emprego para os locais? Nestas áreas, acho que não. As áreas em que talvez haja problemas são os sectores onde os locais podem trabalhar, como na segurança ou construção civil.

E como explica a existência cada vez mais falada de angariadores ilegais de trabalhadores, das Filipinas para Macau?
Ao contrário de outros países ou regiões, como Hong Kong, Japão ou Arábia Saudita, os trabalhadores filipinos, para abandonarem o país para ir trabalhar noutro sítio, para sua própria protecção, têm que passar pela Agência Governamental de Trabalho no Estrangeiro e deixar as indicações sobre para onde vão e o que vão fazer. Aqui pode-se entrar em turismo, encontrar trabalho, definir os trâmites das coisas e... ficar, sem dizer nada à tal Agência Governamental. E isso acontece a milhares de filipinos em Macau. Ora, passar por essa agência governamental, prestar as declarações, é burocrático. Demora tempo. Imagine-se na fila de espera, aparece-lhe um estranho, que já cá esteve, que conhece, que sabe de oportunidades de trabalho. E diz-lhe "vamos beber um café". À mesa diz-lhe "Não quer ir para Macau, é fácil voar para lá, há imensos empregos. Num hotel, por mês, podes ganhar 12 mil patacas. Mas pagas-me agora dez mil. Se funcionar é um acordo muito bom para um filipino." Ele vem para cá e, de repente, já tendo pago, não tem emprego. Mas pense que isto acontece porque as pessoas desconhecem que não há problema nenhum em vir para cá sozinho, de férias, procurar emprego, regulamentar a situação e começar a trabalhar. Sem pagar nada a ninguém. O alvo desses angariadores ilegais são as pessoas que nunca vieram a Macau.

E como é o espírito da comunidade filipina em Macau? Se é que há espírito de comunidade.
Vivi oito anos em Hong Kong, a trabalhar no consulado. E, em Hong Kong, há mais de 160 mil filipinos. Logo, dezenas de associações. A esmagadora maioria dos filipinos de lá são empregadas domésticas, que ficam seis dias da semana em casa dos patrões, só saindo no dia de folga. Quando organizávamos encontros da comunidade, iam todos. Queriam ver-se uns aos outros. Aqui, em Macau, acontece precisamente o contrário. A maioria dos filipinos que trabalham aqui vivem normalmente. Têm o seu próprio apartamento. Por isso, vêem os amigos quando querem. É mais difícil juntarem-se em grupos e haver esse espírito de comunidade de que fala.

Mas existe uma determinada forma de estar... Num certo sentido sim. Mas às vezes sentimos que não há uma frente unida.

E é necessária? Essa frente unida? Seria proveitosa em que sentido? Claro que sim. Em termos de sociabilização. Isso existe em Hong Kong, por exemplo. Seria vantajoso sim, mas apenas para que fossem criadas associações, de cariz social. Chegou a haver uma associação abrangente, mas acabou. Agora há algumas, mais pequenas. Na verdade, este departamento está a apoiar muito o nascimento de associações que tenham por objectivo unir a comunidade. Não queremos estar à frente de nenhuma associação, mas apoiamos, e muito, aquelas que se queiram organizar. As que estão a surgir são como que associações por profissão ou de gente da mesma terra. A de farmacêuticos e da cidade de Bicol já existem. Os engenheiros e arquitectos também já decidiram formar associações.



ASSIS - LUGAR DE ORAÇÃO UNIVERSAL

O Ocidente é um Acidente?

José A. Roque Martins

O dia de ontem em Assis leva-nos a pensar que se inaugurou uma era cultural e intelectual menos hostil à crença religiosa, onde são possíveis pontes e sinergias inéditas entre fé e razão, entre a desumanidade que nos espreita.

O profeta é sempre, como nos dizia Leonardo Boff, "o homem de um momento da História". Capta os gritos vindos do mundo dos "condenados da terra". Denuncia as injustiças com uma indignação sagrada. Mas também anuncia os sonhos criadores de sentido e abre a História a um futuro carregado de esperança.
Numa altura em que o mundo está dominado pelo mercado e pela ditadura do modelo de crescimento ocidental, quando o fundamentalismo, assim como a expansão do fenómeno sectário são sintomas de doença mais do que sinais de saúde, "que Humanidade é esta, cruel e sem piedade, " composta por bárbaros motorizados a viver na selva de uma pré-história, onde nenhuma consciência pensa em Deus, na unidade do Universo e do seu sentido?", como perguntava Garaudy.
A resposta é abrirmo-nos à experiência originária de Deus, que é esperança do sentido e se revela no acto criador do Homem, nas artes, em todas as formas de expressão pelas quais dá um sentido à sua própria vida e à sociedade, e onde percebe o sentido de todos os sentidos escondidos no seio de todo o verdadeiro encontro. É aqui que emerge o sagrado, não necessariamente ligado ao "religioso" ou ao "cultural", mas a tudo o que engrandece as dimensões da vida e abre o coração a horizontes cada vez mais vastos.
Foi isto que aconteceu ontem, onde líderes de quarenta e oito confissões religiosas se reuniram em Assis, a convite do Papa João Paulo II, para uma Oração Mundial pela Paz e se comprometeram, à partida, a "não utilizar o nome de Deus em altares da violência."
Esta peregrinação a Assis de trezentos líderes religiosos revestiu-se de grande mediatismo mas também de grande significado por todo o mundo pois todos rezaram juntos na Praça Interior da Basílica de S. Francisco de Assis para que, "o nome de Deus não fosse usado, nunca, como aval à violência."
Estamos na presença, na minha opinião, de um acontecimento de grande densidade, vibrante de amor e de espírito profético. Mas também de um gesto, por parte de João Paulo II, de grande erudição e com sentido de actualidade, ao convidar estes peregrinos para uma "Oração Mundial pela Paz", onde se encontra a experiência originária de Jesus e o seu significado libertador para toda a Humanidade. Talvez, nunca como hoje, tenha feito tanto sentido esta crítica pacifista à cultura política dominante. Nunca como hoje, o fatalismo e determinismo que, ao longo dos séculos, tem estabelecido que à violência se responde com mais violência e que essa era a única forma de fazer desaparecer a violência fundadora e que esta se afirma, em suma, como a cultura dominante.
Vivemos aquilo a que os teólogos chamam kairós, ou seja, um momento histórico de crise, de questionamento e de decisão inelutável. A condição primordial de qualquer solução para este problema único e vital é a de viver este mundo na sua unidade. Mas isto não é fácil ! Foi isto que João Paulo II quis afirmar nesta Oração Mundial Pela Paz. Mas esta unidade não poderá ser uma unidade hegemónica, imperial, de dominação, mas sim uma unidade quase sinfónica a que cada povo trará a contribuição do seu trabalho, cultura e fé, para que todas as crianças do mundo tenham todas as possibilidades económicas, políticas e espirituais para desenvolver em pleno todo o potencial que trazem em si.
São estes os fins últimos que todos os homens de fé (qualquer que seja a sua fé) devem procurar atingir juntos e que ficou expresso no "espírito de Assis" pelos diversos líderes religiosos. Para quem a vida só é vida se tiver um sentido é fácil reconhecer que só este cristianismo é digno de se espalhar pelo mundo. O cristianismo libertador que se encontra nos sábios de todas as outras culturas; que se assemelha a todas as grandes tradições espirituais, que sempre abriu uma perspectiva de presença solidária com os oprimidos e de unidade na criação da sua totalidade.
Vivemos no tempo em que, diante dos ensinamentos da nova física e da nova filosofia, os sinos dobram por um cinismo realista, mas "sente-se a urgência de um novo ethos civilizacional que nos permitirá dar um salto de qualidade na direcção de formas cooperativas de convivência, "de um novo contrato social assente na participação respeitosa do maior número possível, na valorização das diferenças, no acolhimento das complementariedades e na convergência construída a partir da diversidade das culturas, dos modos de produção, das tradições e dos sentidos de vida" (Boff, 1999).
A cultura da paz, que João Paulo II quis afirmar ontem, integra esse novo ethos. Nos antípodas da visão da guerra, como continuação da política por outros meios, como afirmava Gandhi, no pequeno credo que recitava diariamente: "Não terei medo de ninguém sobre a terra. Temerei apenas a Deus. Não terei má vontade para com ninguém. Não aceitarei injustiças de ninguém. Vencerei a mentira pela verdade. E, na minha resistência à mentira, aceitarei qualquer tipo de sofrimento". Para todos os que perceberam e percebem a política num quadro de radical cultura da paz, ela é a fidelidade à verdade genuína e seu desvelar sempre que essa verdade cristalina durar e for ocultada por disfarces línguísticos ou culturais ou por convenções sociais de momento. Não podemos esquecer que Heraclito, na charneira do Oriente e do Ocidente, seis séculos antes da nossa era, formulava esta lei universal e eterna: "Tudo é um. A lei da vida é realizar a harmonia do Uno". No mesmo sentido mas a outra escala escrevia Garaudy, há mais de vinte anos, sobre as pretensões do Ocidente ser o povo escolhido, encarregado de "civilizar" o mundo: "o ocidente é um acidente".
Talvez sim. Talvez não. Do que temos a certeza é que o futuro pertence a uma religião saída da religião, a uma religião do "nunca um sem o outro", como nos diz Paul Valadier, na sua última obra "Um Cristianismo de Futuro", que ajudaria à permanente transição entre uma cultura sempre ameaçada de esclerose e uma moral humanista insípida e inquietante onde o dinheiro é rei e as virtudes cardinais assentam na aptidão à renegação, na ambição arrivista e na sede de privilégios. O dia de ontem em Assis leva-nos a pensar que se inaugurou uma era cultural e intelectual menos hostil à crença religiosa, onde são possíveis pontes e sinergias inéditas entre fé e razão, entre a desumanidade que nos espreita.
O exemplo de ontem em Assis diz-nos que a Paz só pode ser alcançada pelo comportamento quotidiano e para isso temos que mudar os valores, as atitudes e os comportamentos do passado nem que para isso tenhamos que pedir perdão...



JOSÉ CARLOS VENÂNCIO

"Henrique de Senna Fernandes é incontornável"

Helder Fernando
helder@macau.ctm.net

Conceitos de lusofonia há imensos, em todos os cantos do mundo. Como há quem lute para dignificar qualquer deles, desde que não ponha em causa a maior riqueza que demos ao mundo. José Carlos Venâncio, professor não residente da Universidade de Macau, considera o Estado português de maçónico, centralizador. Valha o poder local, afirma ele. Sobre a literatura macaense de língua portuguesa, este docente lembra-se de vários autores, passados e presentes. Destaca um. Henrique de Senna Fernandes, "incontornável", diz ele.

Pelo lado da literatura a lusofonia multiplica-se diversificadamente, parece substancialmente rica, mas por vezes afigura-se carecer de algum suporte de união entre todas as partes de modo a ganhar força organizada e impôr-se, com naturalidade sim mas também com uma dinâmica muito própria.
Eu procuro sempre observar como a lusofonia funciona pelo lado da literatura ou, por outras palavras, como é que a literatura suporta a lusofonia. Nomeadamente, vendo a emergência da escrita literária nos diversos pontos marcados pela presença portuguesa nas épocas coloniais. Os trópicos, fundamentalmente, e tentar ver até que ponto esta mesma escrita literária nos abre horizontes sobre aquilo que nós poderemos vir a aprofundar sobre a condição lusófona. Partilhar a mesma lingua não parece ser, afinal, tão fácil assim, a partir do momento em que há preocupações ou aspirações de corrigir o que andará menos bem.
Até porque a língua portuguesa se fala e escreve de diferente modo nos múltiplos pontos do mundo onde ela ganhou fundamentos, mostrando diferentes matizes.

Pode afirmar-se que existe uma língua portuguesa migrada? Concerteza que sim e com valores bastante assinaláveis. Falando da literatura brasileira, por exemplo, de todas elas é a mais antiga e a que, naturalmente tem mais nome.

Não sei com rigor até que ponto o Professor está familiarizado com os exemplos literários que Macau tem fornecido. Mesmo assim arrisco perguntar-lhe se acha correcto dizer-se que em Macau trata-se duma literatura meramente local ou regionalizada.
Não restam dúvidas que aqui existe tradição literária que veio até aos dias de hoje. Não podemos esquecer que existe em Macau um grande escritor de língua portuguesa, incontornável. Na minha opinião o escritor Henrique de Senna Fernandes é incontornável. E houve outros, e há, quer portugueses originários de Portugal quer naturais daqui.

Existem distinções pronunciadas entre a língua escrita na origem, no Portugal europeu, neste caso em forma de literatura, e a que é concebida e praticada em qualquer dos outros lados? Isto porque existe um grande poder da literature brasileira que não acontece nem tinha de acontecer em Timor, por exemplo.
Evidentemente que quando falamos em lingua portuguesa, no original digamos assim, devemos ver as quatro grandes variantes principais: como ela é falada em Portugal, no Brasil, em África e, naturalmente, na Ásia.

A tal coisa do português sempre reinventado. Sim, sempre reiventado.

Mia Couto em Moçambique, Luandino Vieira em Angola. O moçambicanismo e o angolanismo.
Falou do Mia Couto. devo dizer que o Mia Couto tenta, sem dúvida, fazer um registo do português com base na sua própria relação com a sociedade. Mas isso é a um primeiro nível, porque no passo seguinte ele de facto reinventa a língua portuguesa e dá ao que escreve uma forma puramente literária. Expressões e construções que só Mia Couto sabe, inventou, deu significado. Como também o fizeram Guimarães Rosa, Luandino Vieira.

E até Camões. quem sabe? Provavelmente.

Governo socialista fez muito pela Ciência

O senhor está muito ligado à Universidade da Beira Interior. Sendo angolano de nascimento e de sangue, julgo saber que também possui origens beirãs.
Sim, sou também de família beirã por parte de meu pai. Fui parar à UBI por convite do padre Francisco Videira Pires, irmão do padre Benjamim Videira Pires que aqui em Macau foi uma pessoa muito conhecida.

Não somente conhecida, foi uma figura muito importante. Um grande historiador das coisas de Macau. Nessa altura eu estava na Alemanha mas aceitei o convite sobretudo porque minha mãe vivia na região beirã.

Atendendo aos trabalhos que tem desenvolvido, também em Portugal, o Professor é dos que consideram que actualmente é possível viver da investigação histórico-científica em Portugal?
Melhorou bastante nos últimos anos. Culpa-se bastante este governo socialista mas devo dizer que no campo da Ciência houve mais valias acrescentadas e uma delas foi essa. Evidentemente que muito à custa do Programa Ciência que é um programa europeu e que muito naturalmente tem servido para desenvolver a ciência em Portugal, criar investigadores, etc. E isso tem sido feito. Agora que daí possamos concluir ser possível viver da investigação em Portugal. penso que ainda não. Até porque são poucos os institutos que tenham a carreira de investigador. As próprias universidades não têm. A investigação que é feita nas universidades é subsidiária da principal actividade que nós temos que é a docência.

No contexto puramente português, o papel dessas jovens universidades - pode dizer-se que a Universidade da Beira Interior é uma universidade jovem - para o desenvolvimento da investigação e progresso dos estudos em geral?
Bem, as universidades jovens têm uma vantagem que é a de não possuirem uma estrutura burocrática tão pesada como as mais antigas. Não estou a dar novidade nenhuma, toda a gente sabe da maior facilidade de dinâmica numa universidade mais jovem se for bem dirigida. Por outro lado, em termos de investigação as universidades maiores acabam por ter mais impacto, há sempre alguém a fazer alguma coisa de novo. Mas de qualquer forma há possibilidade de conciliar estes dois polos, graças ao que foi feito pelo governo socialista, nomeadamente pelo ministro da Educação e pela Fundação para a Ciência e Tecnologia que têm incentivado o intercâmbio de docentes na sua qualidade de investigadores.

Estudos africanos, o senhor é um entusiasta desta materia, sempre debaixo das tais escritas multivivênciais. Como investigador do Centro de Estudos Africanos da Universidade do Porto, acha bem que esta especialidade tenha sido erguida no interior beirão?
É um campo dos estudos que eu aprecio, realmente. Quanto à pergunta que me faz sobre se eu aprovo que os estudos africanos tenha sido instituidos na Universidade da Beira Interior. Digo-lhe que isso não faz sentido nenhum, instalar os estudos africanos na Beira Interior enquanto tal. Intercâmbio em complemento de outras areas, sim. Por isso fui convidado pelos colegas do Porto para integrar o Centro enquanto investigador e nessa medida dependendo directamente do Ministério da Ciência.

O título da conferência que veio apresentar em Macau é "Literariedades em Português, Convergências e Divergências- ". Como acho que nos diz respeito e nem todos os leitores do HOJE terão estado presentes na Livraria Portuguesa, peço-lhe que descodifique e que diga que divergências foram aquelas que dum dia para o outro estava tudo bem de novo.
Divergências, sou a favor delas. Desde que não ponham em causa esse projecto que a dada altura se passou a chamar de lusofonia. Mas para corresponder ao pedido de descodificação, literariedade é aquilo que é retórica, aquilo que distingue o texto instrumental do texto literário. E com todas as ambiências sociológicas e históricas.

As divergências até devem enriquecê-lo.
Evidentemente. Divergências que são bastante assinaláveis no Brasil. Mas estas a que me refiro são sobretudo as necessárias, por exemplo a do Movimemto Negro, no Brasil, bastante actuante neste momento e com aproximações ao movimento similar nos Estados Unidos. Mesmo na minha terra, em Angola, notam-se divergências porque são feitas criticas com alguma frontalidade e justificação, mas não se dirigem exclusivamente contra a lusofonia. Acontece um pouco por toda a África e creio que tem a ver com um certo neo-negrismo em algumas camadas da intelectualidade africana.

Já que fala da sua terra, o nome de Uanhenga Xitu diz-lhe alguma coisa, para além de intelectual e politico, claro? Diz-me muito, é um grande amigo meu. Um grande escritor, uma referência no que respeita aos escritores de língua portuguesa. Se bem que Uanhenga Xitu não é um escritor africano não exclusivamente de língua portuguesa, ele também escreve em kimbundo. Penso até que será o mais africano de todos.

A propósito, qual é a sua opinião sobre a modernidade ou falta dela? Haverá modernidade em algumas literaturas africanas mas não nos países africanos de língua portuguesa. A força do mercado e todo o processo histórico por que África passou não tem proporcionado muito essa escrita nas línguas vernáculas.

Nota-se a existência de muita gente que não alinha muito pelo termo "lusofonia".
Também não me é muito cara, apesar de ter sido dos primeiros a utilizar essa expressão. Penso que o primeiro foi o Professor Fernando Cristovão.

Haverá tanta gente, hoje em dia a saber português nas ex-colónias?. Hoje em dia sim, porque foi feito um trabalho extraordinário naqueles países, depois das respectivas independências, é por demais evidente. Até porque em muitas e muitas ocasiões a lingual portuguesa já é a primeira língua.

A influência do poder local

Há pouco tempo realizaram-se as eleições autárquicas em Portugal. O poder local tem influência na literatura regional sem fugir ao eixo mais profundo da literatura nacional, podemos dizer assim? Sim, pode ter influência. só que essa influência está, por tradição, mais ou menos desrespeitada. As diferenças, nos dias de hoje, estão esbatidas.

Fernando Pessoa não é Miguel Torga. há o centro e as periferias. Entendo, mas por tradição isso esbate-se um pouco. Há também o facto de o Estado português ser um estado maçónico, homogeneizador. E porque o país é pequeno e tem novas vias rodoviárias, cada vez mais a diferença entre as regiões está esbatida. Mas pergunta-me sobre o papel do poder local. Independentemente do papel meritório que as autarquias têm tido a nível do teatro, das artes, da ciência, isso tem sido muito incentivado a nível do teatro, das artes, da ciência. Hoje as autarquias têm os seus historiadores, o seus sociólogos, trabalhando no sentido de activar a cultura e tudo aquilo que pode marcar a especificidade da própria autarquia. A enunciação literária de fundo regional. Olhe, o escritor Alçada Baptista é da Covilhã mas no fundo é um escritor nacional. Em termos culturais e mesmo económico Portugal é um arquipélago.

Acha que Portugal, para além de ser um País de marinheiros, é um País de poetas?
Talvez essa expressão faça algum sentido..

E a CPLP, existe, finge que existe ou é o quê? Parece que nos altos e baixos, o balanço tem sido pouco ou nada positivo.
Pois, tem mais altos que baixos. Nós tivémos um projecto financiado pelo Instituto Português da Conjuntura. A conclusão enferma do facto de ser ter constitiude a CPLP.



As diferenças e as semelhanças

O Professor José Carlos Venâncio, angolano de nascimento, conhece Macau de há uns anos a esta parte. Ele é Pró-Reitor da Universidade da Beira Interior e não gastam em LasaKla até em plena livraria. Dão temáticas aos autores. Estudos Africanos, Luso-africanismo, expressões, calores, quase tudo desmistificado. Professor nao residente no departamento de português da Universidade de Macau, elogia os poetas e escritores naturais e residentes em Macau que ao longo dos tempos tanto mantiveram vivo o abraço literário do universo da lingua portuguesa. Talvez uma das suas maiores curiosidades seja investigar como funciona a literatura portuguesa tão diferente e tão semelhante, a volta do mundo.

H.F.



Marca francesa promoveu desfile na Torre de Macau

Macau muito Chanel.

Foi uma tarde bem diferente para a cidade de Macau, pouco habituada a eventos desta classe. Para a cidade não. Para alguns escolhidos que tiveram direito a convite para apreciar a colecção prêt-a-porter da Chanel para a Primavera-Verão de 2002.
A maior parte dos convidados eram, aliás, de Hong Kong, bem como as estrelas do cinema e da canção convidados. Entre eles, Yan Tat Wa, famoso por vestir a pele de um famoso chefe de tríade de Macau no filme "Gigante", lembram-se?
Mas isso só tem importância porque no fim do desfile, aproveitando a sua categoria de "estrela", ainda subiu à passerelle, para depois desaparecer nos bastidores, para onde se tinham retirado as modelos. Sortudo.
De Macau estava o Chefe do Executivo, Florinda Chan, Ao Man Long, entre outros, muito poucos. E, claro, Stanley e Pansy Ho.
Quanto à roupa desfilada deixamos ao critério de cada um. Mas foi um desfile bonito, numa tenda branca gigante que envolvia a Torre, um assomo de criatividade que pouco se vê por aqui.
Venham mais desfiles. Afinal Macau precisa de um pouco mais de Chanel. Só é pena que cheguem e se vão embora, não é?



Macau inicia hoje, no México, Taça do Mundo Interline

Futebol aéreo

Vitor Rebelo
reb20@macau.ctm.net


A selecção de Macau de "Interline" vai ao México reforçada com jogadores do futebol da I Divisão. E pode constituir uma das surpresas do torneio mundial

Pela quarta vez, Macau vai participar nos torneios mundiais de futebol, destinado aos funcionários da indústria de aviação. E actualmente este acontecimento já atinge um nível apreciável, despertando enorme interesse em todos os continentes. As grandews potências nunca deixam de estar presentes, apostando mesmo em formar conjuntos de bom recorte técnico.
Para quem não sabe, Macau conquistou já um triunfo, em 1999, quando a prova aqui foi organizada, na variante de cinco, com os jogos realizados no pavilhão da Taipa. Desta feita e na sequência do que tem acontecido nos últimos anos, o "Interline" de futebol disputa-se com equipas de sete jogadores, ou seja, é a nossa conhecida e popularizada bolinha. Por isso mesmo, mais uma razão para macau estar presente. A comitiva saiu apenas ontem do Aeroporto Internacional, começando já hoje a competição, na cidade mexicana de Guadalajara. A selecção chegou ao México na noite de ontem e vai regressar a casa na próxima quarta-feira, depois de efectuar três dias de torneio.

Objectivos também turísticos na deslocação a Guadalajara

A responsabilidade da deslocação pertence à ADA, Administração do Aeroporto, que tem vindo a chamar a si este tipo de iniciativas. Trata-se de uma delegação desportiva, por um lado, mas igualmente uma viagem de promoção do território, entendendo-se (e bem) que este género de participações só beneficia Macau e neste caso concreto também promove o Aeroporto e a própria Air Macau.
No entanto, a selecção macaense vai ao México para dar nas vistas e obter bons resultados. Sabe-se que, mesmo na variante de sete e tratando-se de funcionários da indústria da aviação, há equipas muito fortes, porque apostam, todos os anos, nestes torneios, preparando-se adequadamente.
São os casos das selecções de Portugal, França, Itália e Estados Unidos, apenas para destacar alguns dos habituais países. Ontem, numa das salas de embarque do Aeroporto Internacional de Macau, a comitiva foi apresentada à comunicação social e lá estavam algumas caras conhecidas do futebol de onze do território. Futebolistas que actuam em equipas do escalão principal e por isso com maior experiência nestas andanças. Ainda por cima porque em Macau há todos os anos um campeonato de bolinha, de enorme popularidade.

Ficar a meio da tabela já será bom resultado

A selecção tem aspirações legítimas a uma boa classificação, mas um lugar entre os três primeiros já será pedir demais. Os treinos foram poucos e a viagem, praticamente em cima do torneio, poderá provocar cansaço nos atletas. Há outros países que levam estas coisas mais a sério e por isso são candidatos ao título na Taça do Mundo. Segundo os responsáveis do Aeroporto, "os nossos funcionários não podem estar muito tempo fora e por isso mesmo tivemos de partir o mais tarde possível", palavras de Seruca Salgado, chefe executivo da ADA, que discursou antes da partida da delegação.
Em jeito de brincadeira, Seruca Salgado "exigiu" o primeiro lugar do torneio mundial e pediu muitos golos, "mas só na baliza adversária". Os jogadores, apesar do tempo apertado da deslocação, sentiram o ambiente favorável a este tipo de manifestações desportivas além-fronterias, tendo em vista o convívio e a boa imagem do território, para além, como dissemos atrás, da divulgação turística. O convívio entre trabalhadores do mesmo ramo é outro aspecto importante. E esta é já a quarta presença da ADA, ao lado de outras componentes ligadas ao aeroporto (polícia, bombeiros, serviços de alfândega, Masc Ogdan, Air Macau e Y&T Facilities Management). Tudo começou em 1998, com a prova realizada em Portugal, na cidade algarvia de Faro. A selecção macaense conseguiu um excelente quarto lugar. A aprtir daí não mais parou e, sempre que possível, pelo menos uma vez por ano, lá está a equipa de futebol preparada para fazer mais um gosto ao pé.

Macau recebeu e venceu edição de há quatro anos

Em 99 foi mesmo Macau a organizar um torneio do género, mas de futebol de salão. Foi a representação da ADA que venceu. No ano seguinte (2000) A Tailândia arcou com a responsabilidade de levar a efeito a competição e, aqui tão perto, Macau não podia deixar de estar presente. No final, mais uma boa posição, quarto, entre vinte equipas. Claro que também o facto de ao aeroporto estarem ligados vários jogadores do futebol de onze de Macau, ajuda bastante à formação de uma selecção com credenciais. É o caso de mais uma representação, agora no longínquo México, que obrigará a comitiva a realizar uma viagem cansativa. Mas quem corre por gosto não cansa e os futebolistas saíram ontem com espírito de grupo e uma grande vontade de trazer uma taça para o território.
Nomes como os de Mandinho, William Long, Ka Li Man e Chu Hong Meng (guarda-redes), dão garantias de uma boa presença e a aspiração a lugares de, pelo menos, meio da tabela. Sousa Pais, o mais velho da equipa, chefe da comitiva, mas igualmente preparado para entrar em campo, reconheceu ao HOJE que "vai ser muito dificil fazer brilharetes, pois este torneio congrega selecções bastante fortes. E nós não tivemos uma preparação adequada, não houve tempo. Vamos tirar partido, fundamentalmente, da forma de alguns jogadores que estão a disputar o campeonato de Macau".

Mandinho e Ka Li Man são as principais vedetas
Neste selecção da RAEM, há dois jogadores que sebressaem, Mandinho e Ka Li Man. Dois excelentes executantes, que podem vir a constituir sérios quebra-cabeças às equipas de maior prestígio. Mandinho, como se sabe actua no Lam Pak e é funcionário do aeroporto há já alguns anos. Ka Li Man não está este ano a jogar na I Divisão por se encontrar, por um lado, lesionado, mas por outro em virtude de divergências com o Grupo Desportivo da Polícia. Deverá optar, esta temporada, por vestir a camisola de um clube da III Divisão. Ele é agente policial destacado no aeroporto e por isso enquadra-se perfeitamente nos regulamentos da competição.
De resto, como dissemos, a selecção conta com William Long (Monte Carlo), Chu Hong Meng, guarda-redes da Autoridade Monetária e ainda Leong Lap Tak, dos Bombeiros, da II Divisão. Os outros elementos da comitiva são: Paulo Américo, Chao Cheng Kei, Chu Yio San, Leong Su Peng, Paulo Malheiro, Wong Ka Hou e Sousa Pais.
Participam vinte equipas, distribuidas pelos seguintes países ou territórios: Portugal, França, Itália, Estados Unidos, Brasil, México, Argentina, Canadá, Macau e Sri Lanka. Qualificam-se os primeiros de cada série, mais os três melhores segundos, em jogos de uma hora (trinta minutos em cada parte). As regras são as do futebol tradicional e as dimensões do campo e balizas idênticas ao que se pratica na bolinha de Macau. O piso é de relva natural.

RAEM deverá organizar novo torneio este ano

Durante a apresentação de ontem o HOJE ficou entretanto a saber, através de Sousa Pais, um entusiasta destas presenças das equipas de futebol do aeroporto, que Macau deverá voltar a organizar um torneio do género, igualmente integrado na Taça do Mundo de "Interline". Tudo aponta para a data de 8 de Dezembro, Dia da Aviação, estando já o Instituto de Desporto da RAEM ao corrente das intenções da ADA, devendo integrar o torneio internacional no calendário oficial das provas desportivas do território.
Antes disso, lá para Julho, esta mesma selecção de bolinha deverá participar em mais uma etapa da Taça do Mundo, na República Checa.



Versões portuguesas de poemas chineses
Fernanda Dias
Foto: Derek Tong
Macau, 2002

Nocturno

Céu e mar sem limites, bolha de mercúrio!
no alto ondula a vaga luminosa das estrelas
em baixo, torrentes de cristal; é a hora do sono dos viventes.

Manto de plumas de pavão branco sobre os ombros,
venho de longe, de muito longe! só, na minha barca de marfim,
ergo os olhos aos céus.

Oh! devesse eu regressar ao fundo tenebroso
de um mar de lágrimas, como uma sereia em pranto!
ou melhor ainda, nesta luz de prata difusa
como uma estrela cadente arrastar a quimera de um reflexo
e sumir no infinito!

Adiante.adiante! Tenho a lua na minha frente!

Kuo Mo Jo (nascido em 1892)



A donzela pobre

Nas águas da Primavera achou espelho
para se enfeitar de flores da beira-rio.
Ao longe viajantes numa barca de magnólia,
rindo, apontam os ganchos de pau
na cabeleira dela.

A mesma água límpida que a face dela espelha
leva a barca deles a uma ignota margem.

Wang Yen (séc. VIII)



O sorriso chinês

Ana Cristina Alves
hoje@macau.ctm.net

O sorriso chinês normal - não o dos bons malandros, nem o dos grandes apaixonados, nem o dos piores sacanas - é, antes de mais, o ponto focal do rosto e pretende apenas revelar um único sentimento: o de respeito, que é, como se sabe, o sentimento mais racional de todos.

Há tantos tipos de sorrisos como de risos. Há sorrisos irónicos, sarcásticos, maledicentes, benevolentes, meigos, amorosos. Há um sem-número de sorrisos e os chineses são peritos na arte de sorrir.
Quando eu era miúda sorria muito e era condenada por isso. Porque é que sorris mesmo quando não tens vontade? - perguntavam aqueles que me conheciam bem. E inquiriam perante o meu mutismo: És hipócrita? Confesso que, à época, não sabia o que responder. Só sabia que não sorria por hipocrisia, ou seja, para esconder o que sentia, sorria por necessidade de agradar, por um imenso desejo de identificação com o outro. Mas uma criança não sabe explicar estas coisas.
Anos mais tarde, vi um filme do Woody Allen, creio que intitulado Zelig (ou a arte de se ser camaleão!) e fez-se luz, finalmente, no meu espírito sobre a questão dos meus sorrisos. Entretanto, vim para China, mais especificamente para Macau e qual não foi o meu espanto ao reparar que aqui todos sorriam. As pessoas expressavam-se de um modo que eu podia perceber bem.
De regresso a Portugal, numa reunião de amigos, onde estavam chineses, macaenses e portugueses, alguém me perguntou, meio para me arreliar, porque motivo gostava tanto dos chineses. Respondi imediatamente: gosto do sorriso chinês.
O meu interlocutor puxou do seu ar mais sábio e volveu: "cuidado com esse sorriso!". As entrelinhas eram fáceis de decifrar. O sorriso chinês é uma máscara, é falso, queria ele dizer.
A insinuação pôs-me a pensar novamente na questão do sorriso.
A meu ver, há sorrisos chineses de todos os tipo - como em todo o lado! - falsos, verdadeiros, modestos, sábios, doces, maus, apaixonados.Mas também é verdade que há algo de muito específico no sorriso chinês, algo que se pode encontrar no Ocidente, embora em muito menor grau. O sorriso chinês é antes de mais, social. É um sorriso confucionista, se assim se pode falar. A sua essência não é feita de falsidade, mas da necessidade de identificação e aceitação por parte do grupo.
Sendo o colectivo, a imagem, ou o rosto, tão importantes, o sorriso é, na China, a ponte para o outro.
Mário Sá-Carneiro tem um poema, que para ouvidos chineses, até há bem pouco tempo, soaria a absurdo.
Recito-o de memória:

Eu não sou eu nem o outro
Sou algo de intermédio
Pilar da ponte do tédio
Que vai de mim para o outro.

Um chinês de gema talvez dissesse:

Eu não sou eu nem o outro
Sou algo de intermédio
Pilar da ponte do sorriso
Que vai de mim para o outro.

O sorriso chinês não é, à maneira ocidental, o lugar privilegiado da manifestação de uma subjectividade, pelo contrário. Ele é o princípio do outro, zona de fronteira, uma terra de ninguém, onde "um país" se cruza com o vizinho, não para exibir o que há de mais autêntico e profundo em cada um deles, mas para mostrar e atrair o outro para o terreno neutro da civilidade, da delicadeza, da cerimónia contida.
O sorriso chinês normal - não o dos bons malandros, nem o dos grandes apaixonados, nem o dos piores sacanas - é, antes de mais, o ponto focal do rosto e pretende apenas revelar um único sentimento: o de respeito, que é, como se sabe, o sentimento mais racional de todos.
O sorriso chinês evita, propositadamente, os excessos e os defeitos, é feito do meio termo racional. É uma construção. Normalmente, não é hipócrita, nem anulado, é um sinal de atenção. Ocupa, assim, uma zona intermédia entre a cabeça e o coração, não é, de início, como o ocidental que, normalmente, procura manifestar um eu autêntico. O sorriso chinês à moda ocidental, vem depois, quando vem, ao cabo de um longo caminho, dedicado ao reencontro das raízes profundas, obscurecidas, talvez, por milénios de uma educação voltada para a integração social.



Zhang Yimou volta a filmar com gong li

Separados no amor

O realizador Zhang Yimou e a actriz Gong Li vão juntar-se de novo para fazer um filme. Mas só em 2006. O autor de "Milho Vermelho" e "O caminho para casa" está envolvido neste momento noutros projectos como o filme "Herói", onde participa a actriz Zhang Ziyi, mais uma das suas descobertas.
Jornais da China garantem que está já previsto uma sequela - "Herói 2" - para o ano de 2003.
Segundo o realizador afirmou, 2005 será o ano no qual planeia fazer um filme sobre a terceira idade. Assim sendo, só em 2006 terá oportunidade de voltar a filmar com Gong Li.
Durante mais de uma década, o par chamou a atenção na China e no mundo pela qualidade do trabalho que apresentavam e também pelo facto de serem casados. Depois, já a meio dos anos 90, o casal separou-se e Gong Li acabou por casar com um milionário de Singapura. Desde então nunca mais voltaram a filmar juntos e a actriz, à excepção do filme "O Imperador e o Assassino", de Chen Kaige, nunca mais teve um desempenho à altura do que tinha habituado os seus admiradores.
Contudo, a nova aproximação da actriz e do realizador não quer dizer que se tenham reconciliado ou que uma eventual reconciliação esteja nos seus horizontes. Os jornais chineses referem que se trata de um projecto meramente profissional.
Zhang Yimou tem ainda planos para realizar um filme em 2008 sobre os Jogos Olímpicos de Pequim.



Ouro Nazi, Macau e Sexo

Evans Chan no CCM

O Centro Cultural de Macau vai apresentar no domingo o filme de Evans Chan "O Mapa do Sexo e do Amor" que explora a história passada e presente, o amor homossexual e heterossexual através de três estórias interligadas - "Elástico", "Belgrado" e "O Ouro Nazi". Em "Ligadura de Borracha", um bailarino homossexual é aconselhado a dominar a sua "perversidade" atando um elástico no pulso. Em "Belgrado", uma jovem tem uma revelação traumática enquanto viaja pela Europa de Leste; e em "Ouro Nazi", em Macau, um realizador de cinema confronta-se, de forma inesperada e arrepiante, com uma sequela do Terceiro Reich. O filme de Evans Chan delineia os segredos da história e do coração humano com um olhar verdadeiramente cartográfico.
O filme fica em exibição até dia 2 de Fevereiro. As sessões sernao às 19 e às 21 e 30 horas. Excepto no primeiro e último dia que tem sessões também às 16 e 30 horas.



Red Bull em Macau

Flamenco Jazz na Casa de Vidro

No próximo sábado, pelas 22 horas, na Casa de Vidro, junto à Kun Iam dourada,tocam os Red Bull, uma banda cuja música funde jazz e flamenco. Os Red Bull são constituídos por músicos de várias origens, nomeadamente Hong Kong, Singapura e Hong Kong. Um espectáculo diferente a não perder.





Não está fácil este concurso.

Ricardo Pinto In Ponto Final

Remate poético de um artista, um arquitecto da RAEM

ABMC in JTM

Rocha Vieira foi um ditador em Macau

Nuno Lima Bastos In TDM

Conheceu-O. e deu testemunho

Título de O Clarim

O dr. Bastos não sabe o que é uma ditadura

José Rocha Dinis In JTM

Durão Barroso tem uma atracção pelo abismo

Nuno Lima Bastos In TDM

(.) é prova de inteligência do líder do PSD, trazer para o seu lado um homem que, nos Açores e em Macau demonstrou ter invulgares capacidades de governante

José Rocha Dinis In JTM

Vil metal, voo directo

Título de O Clarim

Elasticidade é o que nós não temos

João Fernandes in JTM



Todas mordidas


Vá lá uma cunhazita

Ficaram as senhoras da comunidade portuguesa de Macau. É que nem só uma foi convidada para o desfile da Chanel na Torre de Macau. Facto a que não estavam habituadas noutros tempos. Conta-Gotas, animal bruto que gosta mais de despir do que de vestir, não deixa, no entanto, de lançar um apelo ao Chefe do Executivo: doutor Edmund Ho, para a próxima veja lá se consegue arranjar um convitezinho para a lusa comunidade. É lá em casa quem pagou foram os maridos. Pois. já não tens importância nenhuma. Não nos convidam para nada. Não vales nada. etc... etc.



Próximos capítulos


Jogo: a luta não é de galos

Vêm aí os próximos capítulos da telenovela do Jogo. Conta-Gotas promete que não conta mas. já sabe quem vai ganhar. A não ser que de repente (não mais que de repente) alguém diga com voz de trovão: all bets are off. Quem será? Conta-Gotas ajuda os seus estimados e corruptíveis leitores: não é grego, nem troiano.



Tudo boa gente

Em relação à "guerra" na ATFPM, Conta-Gotas, pouco amigo de dar conselhos, desta vez não resiste: vá lá, façam as pazes que vocês são todos boa gente.



Comissão

Não, não se trata da Comissão do Jogo de Macau, mas de um ajuntamento de objectores de consciência americanos. E a nossa Comissão não tem nada a ver com isso. Mas que objecta, objecta. E há quem já ande louco com tanta objecção.



De persistente memória

Cá está uma tampa de sarjeta a dizer LS. Algumas coisas custam mesmo a morrer. Conta-Gotas, que não é saudosista, roubou uma e levou-a para casa. Daqui a uns anitos ainda vale uns milhões. Ou então pode ser exibida como peça numa exposição de artistas lazy. A fixar.



Miss Macau

Eis uma rapariga feliz como há muito tempo não se vê em Macau. O nosso concurso desapareceu e estará em parte incerta, como um tal de Bin Laden.



Bancada eterna


Vamos mas é prali sentar o rabiov

A bancada construída em frente ao Hotel Lisboa ameaça mesmo eternizar-se. E se pela frente ainda vá (vá aonde?), já por detrás é um bicho muito feio com os tubos de metal todos à mostra. Conta-Gotas tem algumas sugestões a fazer às autoridades responsáveis:
1. Peçam à UNESCO para incluir a bancada na lista do Património Mundial 2. Contratem um artista plástico que a embrulhe.
3. Aluguem-na aos proxenetas de Taiwan para exibir as suas russas. 4. Vendam-na a um ferro-velho.
5. Desmontem-na, guardem a tubaria e voltem a utilizá-la no próximo Grande Prémio.



No Kiang Wu é que está o ganho


Gestão inteligente

É uma pena que o governo não dê mais qualquer coisinha ao Hospital Kiang Wu. Olha, por exemplo, aquela estátua do João Cutileiro que está no átrio do São Januário. Boa ideia, né? Conta-Gotas, sábio e generoso, vai mais longe: há para ali tanta maquinaria no hospital público que poderia render um belo dinheirito no Kiang Wu, se tivermos em conta os preços praticados, porque não transferir já toda e de vez? É uma questão de rentabilização, conceito que hoje está tanto na moda. Entretanto, não conseguimos perceber é a má gestão dos hospitais de Hong Kong que não sabem ganhar dinheiro. Então não é que chegam a levar um terço do que pede o Kiang Wu para realizar as mesmas operações. Por isso é que anda para lá uma crise económica do tamanho de um elefante. É verdade: no Kiang Wu é que está o ganho. De quem será?



Famílias


Abel e Caim:
Ramos diferentes de negócios. Um exemplo a seguir

Qual é a instituição de Macau onde o responsável é tão desconfiado da malta que resolveu lá meter o irmão? E numa posição de destaque, de chefia, de comando. Conta-Gotas oferece uma choruda recompensa a quem adivinhar. E dá uma pista: não são gregos, nem troianos, nem de Macau.



Príncipe infeliz

Já um rapaz não pode beber uma súrbias e esfumaçar uns barrotes, que o papá mete-o logo no hospital.



C-Plus: uma banda na RAEM

Identidade Macau

Agnes Vong
hoje@macau.ctm.net

Os C-Plus começaram a sua carreira pouco depois dos seus membros terem completado vinte anos. Chong Cho Lam (Jones) e Chui Chi Iong (Siu Fay) decidiram chamar-se C-Plus simlesmente porque os nomes de ambos começam por um "C".
Quando se fala com eles, mostram muito da energia da sua juventude e os seus olhos mostram que se encontram cheios de confiança. Chamaram ao seu primeiro álbum "Dream", o que mostra o empenhamento e entusiasmo em realizar o seu sonho: dedicarem-se totalmente à música. Mas um aspecto merece relevo: insistem incessantemente no facto de nunca se esquecerem que são de Macau.
Os C-Plus snao radicais neste aspecto. Se lhes derem uma oportunidade para trabalhar no estrangeiro ou em Hong Kong, mas lhes exigirem que digam ser de outro sítio qualquer, preferem perder a oportunidade. Jones é completamente afirmativo quando diz: "se não posso dizer às pessoas quem sou, onde é que está a minha identidade?"
Uma vez foi-lhes oferecida a hipótese de um contrato em Hong Kong, mas porque se tratava de um contrato de quinze anos, preferiram não assinar. O seu espírito independente leva-os a preferir continuar como uma banda sem ligações certas. "Se trabalharmos a tempo inteiro, certamente que haverão momentos altos e momentos baixos. Interessa-me mais fazer o que gosto", diz Jones, reforçando a ideia de que não gostam de fazer coisas conta a sua vontade.
Jones e Siu Fay conhecem-se desde o liceu. Um e outro influenciaram-se mutuamente e por isso estão mutuamente agradecidos. Siu Fay diz que se não fosse Jones continuaria a ser o mesmo rapaz introvertido que entrou para o liceu. De facto, foi Jones quem descobriu a vocação de Siu Fay para cantar. Primeiro, participaram em competições separadamente. Mas depois descobriram que as suas vozes em conjunto eram muito harmoniosas. A partir daí começaram a cantar em conjunto e ganharam um primeiro prémio em 1996.
Mas já que se entendem tão bem, no palco e na vida, será que começariam uma carreira individual se surgisse uma oportunidade? Eles respondem que se tal acontecesse, teriam de trabalhar separados. Mas, por agora, divertem-se imenso quando trabalham em conjunto.
Quando questionados sobre o seu público alvo, Jones responde que a maior parte está entre a faixa etária "dos treze aos 21". Mas não se querem ficar por aqui e explica: "Na realidade, pessoas de todas as idades são bem vindas. Contudo, parece que as pessoas desta idade aceita melhor o que é produzido localmente". Na sua opinião, as pessoas mais velhas oferecem grande resistência às coisas produzidas em Macau. Outro grande sucesso dos C-Plus é o seu clube de fãs. No princípio eram apenas sete, mas hoje são mais de trezentos. É claro que lhes demonstram a sua gratidão porque, dizem, "sem eles não tinhamos chegado a lado nenhum".
Os C-Plus promovem a sua música como sendo originalmente concebida em Macau e partem desta ideia para pedir o apoio das pessoas. Eles sabem que não foram os primeiros a produzir música original em Macau e referem o nome de Casimiro Pinto.
Por vezes snao convidados a actuar juntamente com cantores de Hong Kong, mas isso não os perturba desde que interpretem as suas próprias canções. Antigamente, era diferente. Jones dá um exemplo: "Se estou a cantar uma canção do Andy Hui e ele está ao meu lado no palco, então o que é que eu sou?, pergunta. E por isso os C-Plus insistem em só tocar o seu próprio material e na importância de ter canções originais.
"Dream" é o nome do primeiro álbum. E quais serão esses sonhos? Jones não hesita: "O meu sonho é abrir um Café Concerto em Macau, com fotografias dos cantores locais nas paredes. E mesmo no menú, as pessoas poderiam ver o nosso trabalho. Por exemplo: posso pedir um "Lonely Christmas"? (uma das canções do último CD)".
Tanto Jones como Siu Fay estnao contentes com as suas vidas. Ambos estudam na universidade e os seus interesses espalham-se por várias áreas. Jones, para além de estudar, é DJ na Rádio Macau e trabalha na TDM. Siu Fay, por seu lado, trabalha como designer de arte.
E estão contentes com o seu trabalho musical? Eles dnao a si mesmos um C+, com a justificaçnao de que podem melhorar muito. Assim seja.



Previsões para a semana de 28 de Janeiro a 3 de Fevereiro

CARNEIRO
Globalmente, o Carneiro encontra-se sob uma dinâmica positiva, uma fase em que os nativos do signo devem manter os olhos bem abertos a fim de não deixarem escapar oportunidades. Nascidos entre 21 e 27 de Março: recebem as influências mais claramente positivas, mas as oportunidades serão mais fugazes. Nascidos entre 28 de Março e 1 de Abril: está em causa algo de mais importante e mais sólido. Nascidos entre 11 e 15 de Abril: ambiente de renovação, devido a Urano. Pode ser uma proposta de trabalho ou o início de uma relação estimulante. Para todos, a 11ª Casa Solar põe em foco as amizades.

TOURO
A concentração de astros no Aquário - signo em tensão natural com o Touro ? continua a ser um factor relevante. Há um desafio das circunstâncias. Aquilo que você quer e o que lhe é dado são coisas muito diferentes. Vai ser necessária alguma ginástica mental e muita flexibilidade (o que, diga-se de passagem, não costuma ser o seu forte.). Mas as influências serão predominantemente positivas para os nascidos entre 26 de Abril e 1 de Maio, devido à influência benéfica de Júpiter. Significa oportunidades e a ajuda de outras pessoas. Em foco a 10ª Casa Solar, da vida profissional e da imagem pública.

GÉMEOS
Mantém-se a tónica positiva e de progresso. Será mais fácil encontrar pessoas com sensibilidades e interesses similares. Muitas vezes, os nativos dos Gémeos conseguirão o que querem por mera sorte ou oportunidade, sem precisarem de se esforçar muito para o conseguir. O relacionamento com os Aquários será, em princípio, produtivo. Por outro lado, a influência positiva de Marte dará uma ajuda muito oportuna aos nascidos entre 26 de Maio e 1 de Junho, fazendo com que o curso dos acontecimentos se torne claramente mais favorável. Em foco a 9ª Casa Solar, das viagens e do estrangeiro.

CARANGUEJO
O importante agora é não forçar os acontecimentos. O momento é já suficientemente dinâmico (talvez mesmo tenso.) pelo que as energias devem ser dirigidas para a gestão das situações (e oportunidades) que forem aparecendo. Pode haver sucesso, quer profissional quer social, mas esse mesmo sucesso foge ao controlo. Na vida sentimental haverá predisposição para o conflito ou o desentendimento. A semana será mais animada para os nascidos entre 27 de Junho e 4 de Julho. Em foco a 8ª Casa Solar, que tem a ver com acontecimentos que põem em foco a precaridade da vida.

LEÃO
A semana começa em grande para os Leões, devido à presença da Lua no signo, na segunda e na terça-feira. De uma maneira mais geral, o Leão continua a ser presentemente o signo mais desafiado, devido à concentração de astros na zona oposta do zodíaco, isto é, o Aquário. Há que saber aceitar as dificuldades e as crises e vê-las como uma porta aberta para a oportunidade e o sucesso. É claro que as relações pessoais (e sentimentais.) são as que podem ser mais prejudicadas pela conjuntura. Mesmo assim, haverá sempre uma maneira de contornar os problemas e transformar o negativo em positivo.

VIRGEM
Há uma conjuntura globalmente positiva. Mas, ao mesmo tempo, Mercúrio está em movimento aparente "retrógrado", o que significa que o momento é mais próprio para preparar a acção do que para acção propriamente dita. Bom relacionamento com Capricórnios e Aquários. Mas os nascidos entre 30 de Agosto e 4 de Setembro sentem agora mais fortemente a influência complexa de Saturno, exigindo importantes reajustamentos. Enquanto Plutão põe à prova a força interior dos nascidos entre 6 e 11 de Setembro, que poderão ver chegar ao fim alguma coisa de grande significado.

BALANÇA
Por um lado, o Aquário (signo onde se concentram diversos astros) continua a ser um importante apoio para a Balança, já que são signos da mesma família. Significa oportunidades e a ajuda de outras pessoas. Há também que ter em conta que Vénus, o astro regente da Balança, também se encontra no Aquário, o que significa um comportamento mais inconvencional e descomprometido. É evidente que o relacionamento com os nativos do Aquário pode ser muito enriquecedor. Em foco a 5ª Casa Solar, que tem a ver com a vida sentimental e os filhos.

ESCORPIÃO
Marte em Carneiro (que é um dos "domicílios" do planeta) significa que os Escorpiões se sentem "em casa". É muito oportuno que assim aconteça, já que a concentração de astros em Aquário (signo em tensão com o Escorpião) pode tornar a caminhada um tanto acidentada. Os nascidos entre 29 de Outubro e 3 de Novembro encontram-se simultaneamente sob a influência benéfica de Júpiter e a negativa de Neptuno. O bom e o mau surgem intimamente ligados. Em foco 4ª Casa Solar, que tem a ver com a família e a residência.

SAGITÁRIO
A conjuntura continua claramente favorável. O que significa que os Sagitários devem dar largas ao seu optimismo e entregar-se à vida com confiança. Parte do apoio vem do signo do Carneiro (onde se situa Marte). Tem a ver com a energia e a capacidade de contagiar as outras pessoas com o entusiasmo pessoal. Outro apoio vem do Aquário, que simboliza a capacidade de entendimento com outras pessoas e a criação de alianças muito úteis e oportunas. Mas há que não esquecer as influências problemáticas de Saturno e de Plutão, mais fortes agora para os nascidos entre 28 de Novembro e 11 de Dezembro.

CAPRICÓRNIO
Há uma predisposição para mudanças e alguma instabilidade, sobretudo em relação com a residência e o lado mais privado da vida. Os Capricórnios sentem surgir dentro de si e à sua volta energias que não controlam. Isso pode conduzir a conflitos com os mais próximos. Mas a influência favorável de Júpiter continua a fazer sentir-se, agora com maior intensidade para os nascidos entre 27 de Dezembro e 2 de Janeiro. É mais fácil conhecer pessoas e iniciar novas relações sentimentais. Em foco a 2ª casa Solar, das finanças.

AQUÁRIO
Mantém-se a predisposição para os Aquários estarem no centro dos acontecimentos, devido à importante concentração de astros nesse signo. Por outro lado, podem contar com o apoio de Marte, que lhes dará uma atitude mais decidida e determinada. É a altura de passar das palavras aos actos. Os nascidos entre 26 e 31 de Janeiro encontram-se presentemente sob a influência conjunta de Saturno, o realismo, e de Neptuno, o sonho. O impensável poderá acontecer. Em foco a 1ª Casa Solar, que tem a ver com a personalidade, o corpo e a aparência pessoal.

PEIXES
Logo no princípio da semana, o regente do signo (Júpiter) e Marte, o astro da Guerra, vão estar em "quadratura", isto é, em conexão dissonante. Isto simboliza uma predisposição para o conflito e o desentendimento. Mas há que não esquecer que Júpiter está num signo que lhe é particularmente favorável (o Caranguejo), o que indica uma grande capacidade de resolver problemas. Quanto às influências específicas sobre o signo, os Peixes continuam submetidos ao que há de pior (as quadraturas de Saturno e Plutão) e de melhor, o "trígono" de Júpiter.



ASTRO da Semana

Hillary Clinton
Nascida no dia 26 de Outubro de 1947

ORIENTE

SIGNO DO ANO Porco. Diz-se que as pessoas nascidas sob este signo são corajosas e determinadas, movidas por uma grande força interior. O seu ponto fraco é a tendência para a impulsividade. Por outro lado, o signo simboliza a prosperidade e a boa sorte. Outros nativos do Porco: Maria Callas, Glenn Close, Ernest Hemingway, Henrique VIII, Elton John, David Letterman, Camilla Parker Bowles, Salman Rushdie e Ronald Reagan.

ELEMENTO DO ANO 1947, Fogo. Subtipo "Porco Passando pela Montanha". Diz-se que "este Porco vence as dificuldades e encontra a boa fortuna".

ELEMENTO DO DIA Terra, na modalidade yang. As pessoas nascidas sob esta conjuntura são simbolizadas por um PLANALTO e a solidez é uma imagem de marca da sua personalidade.

COMENTÁRIO Diga-se de passagem que, do ponto de vista da astrologia chinesa, há sinais de afinidade entre Hillary e o seu marido. Por exemplo, no horóscopo de uma mulher, o elemento que controla o elemento pessoal corresponde ao marido. Sendo Hillary do elemento Terra, o seu marido está representado pelo elemento Madeira. Ora acontece que o elemento pessoal de Bill Clinton é exactamente a Madeira. Desde os 34 anos que esse elemento tem tido uma presença forte nos "pilares da sorte" da senadora. Mas ela acaba de iniciar um novo "pilar da sorte", de que a Madeira está completamente ausente. Terá isto apenas a ver com a relativa perda de visibilidade do marido ou alguma coisa mais?

OCIDENTE

SIGNO SOLAR Escorpião. As pessoas com este signo solar têm que viver com intensidade, gostando de se entregar a cem por cento ao que fazem. Há concentração, combatividade e uma filosofia de tudo ou nada. Diz-se ainda que os Escorpiões são muito vingativos, nunca deixando por cobrar as ofensas que lhes são feitas, mesmo que isso leve tempo. Entre as figuras históricas com este signo solar contam-se Winston Churchill, Indira Gandhi, Charles de Gaulle e François Miterrand.

SIGNO LUNAR Peixes. Dá à sua personalidade uma faceta emotiva, sentimental e vulnerável.

SIGNO ASCENDENTE A versão mais corrente da sua hora de nascimento corresponde ao signo ascendente Gémeos, com Urano a nascer no horizonte. Assim sendo, Gémeos dar-lhe-ia uma faceta sociável, sabendo manter as aparências, e Urano acentuaria a determinação do Escorpião, acrescentando-lhe inteligência e visão.

COMENTÁRIO Se considerarmos esta hora de nascimento, Hillary Clinton encontra-se na fase de "Lua Cheia" do seu destino desde 1994. Tendencialmente é durante a "Lua Cheia" que surgem as melhores e mais significativas oportunidades da vida. Neste caso concreto, esse período de tempo coincide com a fase de primeira dama e, posteriormente, a sua eleição para o Senado. Mas a "Lua Cheia" termina em 2003.