Há cada vez mais jogadores veteranos a jogar na I Divisão do futebol e
Macau. Dani e Ricardo Santos são os mais recentes, tendo reforçado o
campeão Lam Pak. A formação de Chan Man Kin viu-se assim na necessidade
de ir buscar futebolistas portugueses de grande experiência, para tentar
"salvar a época". Os jovens não abundam e os melhores já estão a actuar
nas restantes equipas.
Naturalmente que ninguém esperava estas dificuldades de formar plantel
por parte de um clube que nos habituou, nos últimos anos, a "estar a
mais" no futebol macaense, pela sua forma organizada e de plantel de
qualidade, reforçado ainda com bons executantes de Hong Kong e Zhuhai.
Os tempos mudaram radicalmente e o objectivo agora é fazer um campeonato
tranquilo, sabendo-se que é quase impossível repetir o título.
Os dirigentes do Lam Pak, ou os "patrões" como é costume dizer-se no
futebol do território, terão mesmo dito aos jogadores que, este ano, era
para manter a equipa no escalão principal. Não havia dinheiro para
pagar, por pouco que fosse, à maioria do plantel, como se verificava nas
últimas temporadas. Sem verba, Chan Man Kin viu sair do seu "onze"
futebolistas importantes na manobra do conjunto. Casos de Miguel Heitor
e William Long. Mais tarde, já com a prova a decorrer. Deixaram de
aparecer aos jogos outros jogadores, entre eles o chinês Keong Tai e
ainda Wan Hou In.
Lam Pak reforça-se com Dani e Santos
E a verdade é que o Lam Pak nem mesmo os onze elementos para começar as
partidas tem podido apresentar. Já aconteceu por duas vezes, nos jogos
diante dos Serviços de Alfândega (derrota por 2-1) e no passado domingo
com o Heng Tai (vitória por 7-1). Neste último jogo, no entanto, a
situação somente se registou durante dez minutos, mas mesmo assim vem
provar que o clube passa por momentos dificéis.
Perante este quadro, os responsáveis do Lam Pak quiseram chamar mais
gente para o plantel. Os únicos disponíveis eram jogadores que tinham
praticamente "arrumado as botas". Fez-se uma selecção, alguns convites e
aí estão dois nomes portugueses já em plena actividade, de regresso ao
escalão principal: Dani e Ricardo Santos, dois antigos campeões,
actualmente na casa dos quarenta anos. Para Macau servem perfeitamente,
terão pensado os dirigenntes do Lam Pak e o certo é que a dupla, bem
fisicamente, tem dado maior consistência à equipa.
Dani costuma actuar mais recuado, enquanto Ricardo Santos é visto várias
vezes a acompanhar as acções ofensivas e, por isso mesmo, já apontou
três golos, dois deles no domingo frente ao Heng Tai. No entanto, estes
reforços ainda não são suficientes para compor a equipa, num conjunto de
titulares e suplentes.
Paixão pelo futebol razão para o regresso
O HOJE ouviu alguns intervenientes no futebol para saber como é possível
haver tantos veteranos na I Divisão do futebol de Macau e ainda com
influência nas equipas. Começamos pelos próprios novos elementos do Lam
Pak. "Na verdade não estava a jogar, mas fisicamente sinto-me bem e por
isso mesmo aceitei o convite para jogar no Lam Pak", referiu Dani, que
veio para Macau em 1982 para ser profissional no Negro Rubro, de António
Assumpção.
Daniel Dias, de seu nome, mas conhecido no meio futebolístico por Dani
(quando também jogava em Portugal, na Académica, por exemplo), já actuou
em Macau pelo Negro Rubro, Wá Seng, Chong Son, Benfica, Leng Ngan,
Sporting, Heng Tai, Diz gostar muito de futebol. "É aliciante, mesmo com
os problemas que se conhecem, alinhar pelo Lam Pak. O meu regresso
surgiu em conversa com pessoas ligadas ao clube e aqui estou para dar o
meu melhor."
Quanto a Ricardo Santos, que tal como Dani (e Mandinho) fazem treino
diário específico para se manterem sempre em forma, igualmente a sua
paixão pelo futebol fê-lo voltar. E no seu caso já não actuava a nível
associativo há muito tempo. "Tal como o Dani eu gosto muito de futebol e
como fisicamente me encontro bem, aceitei o convite que me endereçaram.
Deixei de jogar há vários anos porque o futebol só tinha aspectos
negativos. Sentia-me mal e por isso abandonei."
Jogadores veteranos têm postura diferente
Várias são as equipas do escalão principal do futebol do território que
têm no seu plantel jogadores veteranos, acima dos trinta e cinco anos
(muitos deles até acima dos quarenta). Assim, por alto, o Heng Tai
integra Carlos Alberto, Sousa, Firmino Mendonça, Fung Mun, Dedé, Rui
Cardoso; a Autoridade Monetária tem Cham Sek On; o Lam Pak, Mandinho,
Dani, Ricardo santos; a Polícia, Lei Peng Kong e Ng Siu Weng. Entre
outros.
António Lagariça, há vários anos secretário português da Associação de
Futebol de Macau, entende que "os veteranos têm uma postura diferente no
futebol, que ajudam ao desenvolvimento. Sempre foi assim aqui no
território, talvez porque a juventude procure outros caminhos, outros
divertimentos. Assim, têm de ser os mais velhos a promover o futebol,
eles que habitualmente até treinam mais do que os mais novos."
Aquele dirigente considera que "desde que um jogador seja bom, não
interessa o bilhete de identidade e por isso os clubes contratam-nos.
Daí a explicação de existirem muitos veteranos. Eles jogam por amizade e
isso é bom para o futebol." No que diz respeito aos jovens em formação,
Lagariça diz que, em termos de selecção, eles já começam a surgir. "O
treinador japonês já os coloca a jogar porque não tem alternativa, uma
vez que há muitos jogadores que não vão aos treinos e por isso ficam de
fora. Os veteranos neste caso não têm grandes hipóteses, uma vez que
trabalham, possuem a sua vida privada. Ueda é disciplinador e só joga
quem treina. Estamos de facto na curva descendente, o que prova que o
futebol sem contra-partidas está condenado. Mas é o que temos."
Campeonato equilibrado com Polícia em grande
Sobre o andamento do campeonato, António Lagariça, técnico há vários
anos dos Serviços de Educação (Departamento da Juventude), é de opinião
de que "está tudo mais equilibrado, sem aquela superioridade do Lam Pak.
Há uma franca melhoria da Polícia. Quando tem organização é uma equipa
como nos velhos tempos. Nos anos 60 era muito forte. Eu ia ver os jogos.
Rcordo jogadores domo capela, Afonso. Valia a pena vê-los jogar."
A terminar mais esta abordagem pelo futebol de Macau, de referir que a
Polícia de Segurança Pública soma e segue. Obteve, domingo na Taipa,
mais uma vitória, por 3-0, diante da Autoridade Monetária, mas passou
por alguns momentos complicados, no início da partida, principalmente
devido à velocidade e sentido de oportunidade de Mok Kin Fong, reforço
temporário da AMM (ele está a estudar em Pequim e apenas se deslocou ao
território em gozo de férias).
A formação da PSP só desperdiçou até agora dois pontos, no empate diante
do Lam Pak, dispondo de quatro em relação ao Monte Carlo. No entanto, a
equipa de Heitor, Daniel, Cler e companhia, tem menos um desafio
realizado. Acertará calendário amanhã, no campo do Canídromo (20 e 45)
diante do lanterna vermelha, Barra.
Beto é o melhor marcador PSP lidera isolada
No outro desafio efectuado domingo, o Lam Pak, como dissemos atrás,
goleou o Heng Tai por 7-1. O conjunto de Mandinho (ausente no México a
participar na Taça do Mundo de companhias de aviação e empresas
associadas), subiu ao terceiro lugar, mas já será muito dificil a
recuperação até ao topo. A desvantagem é de nove pontos. Destaque, entre
os goleadores, para os quatro tentos apontados por Lei U Weng (Lam Pak)
e os dois de Chao Koi Wa (Polícia). Este último igualou o seu colega de
equipa Cheong Kit Leong no segundo lugar, com 10. A primeira posição
continua a ser ocupada por Beto, do Monte Carlo (13). Hoje, às 20 e 45
no relvado do Canídromo, jogam Ip U e Serviços de Alfândega.
Aqui fica, entretanto, a classificação actual deste campeonato da I
Divisão:
Polícia 22 (30-6)
Monte Carlo 18 (26-5)
Lam Pak 13 (25-10)
Serv. Alfândega 12 (17-13)
Aut. Monetária 12 (17-18)
Heng Tai 7 (7-23)
Ip U 3 (6-24)
Barra 1 (5-34) |