Desde jovem que sentia atracção pela reportagem de qualquer
acontecimento. Os psicólogos não tiveram dúvidas em diagnosticar:
advogado ou jornalista. O curso de Direito pareceu-me maçador e longo.
Optei por abraçar os microfones da Rádio Universidade, Rádio Clube
Português (Parodiantes de Lisboa) e Rádio Renascença. No serviço militar
em Timor dediquei-me à estação de rádio local, onde realizei e
apresentei vários programas radiofónicos. O povo acarinhou-me, e talvez
por isso, ainda hoje sofro com o seu sofrimento. A minha mulher é
timorense e o meu filho nasceu em Lahane-Díli. Regressei a Portugal em
1972 e ingressei no Telejornal da RTP. Ali permaneci como jornalista até
1976. Apesar da liberdade conquistada em 1974, com o jornalismo
português a caminhar para uma prisão subjugada aos interesses políticos
partidários, resolvi como bom anarquista praticar uma liberdade
idealista longe de Portugal, onde o poder neo-fascista emergente do
golpe de estado militar de 25 de Novembro de 1975 me escorraçou para o
desemprego através de um processo disciplinar injusto praticado pela
administração da RTP. Ainda hoje sou o único trabalhador daquela empresa
que não foi reintegrado e indemnizado. Macau serviu de segunda pátria,
onde resido há 20 anos e onde tem sido sempre possível combater os
prepotentes e corruptos, defendendo simultaneamente os
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desprotegidos.
Uns e outros, há muitos por aqui. Talvez por isso é que acabo de
conquistar um recorde do mundo: no Tribunal Judicial de Base da Região Administrativa Especial de Macau correm autos de 14 queixas-crime contra
mim por alegado abuso de liberdade de Imprensa, todas elas emanadas do
escritório do advogado apresentado como socialista Jorge Neto Valente e
ex-deputado nomeado pelo ex-governador Rocha Vieira. No primeiro
julgamento fui condenado, tendo recorrido do acordão para o Tribunal de
Segunda Instância. Os meus advogados informaram-me que a minha vida nos
próximos 10 anos decorrerá a caminho das salas dos tribunais deste
território de Macau onde o colonialismo português deixou uma Lei de
Imprensa retrógrada e fascista. Por aqui vou continuar até que os
médicos permitam. Quanto a este diário que dirijo com amor e paixão, uma
palavra de agradecimento a todos que diariamente optam por o ler.
Trata-se do jornal mais lido em Macau e aquele que defende sem reservas
os valores macaenses. Especialmente para si, que também optou pelo MACAU
HOJE na net, um grande abraço de amizade e sempre que venha a Macau
bata-nos à porta.

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